sistema eleitoral

'Voto impresso não é adequado', diz TSE

Mecanismo amplamente defendido por Bolsonaro e por aliados é classificado como inadequado para garantir a segurança das eleições

Estadão Conteúdo
03/08/2021 às 05:30
Atualizada em 03/08/2021 às 05:30.
Antonio Augusto/Ascom/TSE

Antonio Augusto/Ascom/TSE

Os ex-presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assim como o atual presidente, Luís Roberto Barroso, e o vice-presidente, Edson Fachin, divulgaram uma nota ontem em que defendem o sistema eleitoral vigente no país desde 1996. No documento, assinado por dezoito ministros que presidiram a instituição desde a redemocratização, em 1988, o voto impresso, amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e por aliados do governo, é classificado como um mecanismo inadequado para garantir a segurança das eleições.

"O voto impresso não é um mecanismo adequado de auditoria a se somar aos já existentes por ser menos seguro do que o voto eletrônico, em razão dos riscos decorrentes da manipulação humana e da quebra de sigilo", disse a nota. "A contagem pública manual de cerca de 150 milhões de votos significará a volta ao tempo das mesas apuradoras, cenário das fraudes generalizadas que marcaram a história do Brasil'.

Os magistrados afirmam que as legislações produzidas pelo Congresso Nacional e o TSE foram responsáveis por "eliminar um passado de fraudes eleitorais que marcaram a história do Brasil, no Império e na República". O texto ainda enfatiza a realização de eleições "livres, seguras e limpas" como a essência da democracia. O documento foi divulgado quatro dias após o presidente Bolsonaro realizar uma transmissão ao vivo em que, por mais de duas horas, levantou suspeitas sobre o sistema eleitoral do país e defendeu a adoção do voto impresso como mecanismo adicional de auditagem dos votos.

O político prometia apresentar provas de que as eleições de 2014 e 2018, que o elegeu, teriam sido fraudadas. No evento, Bolsonaro reposicionou o seu discurso dizendo ter "indícios" de fraude. As supostas evidências de manipulação das eleições apresentadas pelo presidente eram um compilado de notícias falsas, vídeos datados e fora de contexto que circulam há anos na internet e análises enviesadas das etapas de auditagem dos votos. Para evitar a propagação de desinformação, o TSE montou uma força-tarefa com 16 pessoas para verificar os dados apresentados pelo presidente. A nota divulgada ontem destaca que em 25 anos de uso da urna eletrônica nunca foram constatadas eleições fraudadas.

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