Casos de estupros caem 17,5% em 2020 em relação a 2019

Delegacias registraram casos de violência sexual contra as mulheres
Delegacias registraram casos de violência sexual contra as mulheres - FOTO: Divulgação

A quantidade de estupros registrados em Mogi das Cruzes caiu 17,5% em 2020. No ano passado, 108 vítimas relataram casos às delegacias estabelecidas na cidade; em 2019 foram 131. A maioria das ocorrências desse tipo de crime, informadas no ano passado, foi cometida contra vulneráveis. Entre as cidades mais populosas do Alto Tietê, Mogi só ficou atrás de Itaquaquecetuba na recorrência de violência sexual, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP).

Do total de vítimas, 79,6% dos casos foram classificados como estupro de vulnerável, que é quando a vítima é menor de 14 anos, portanto ainda não completou o seu desenvolvimento físico e psíquico, quando não pode oferecer resistência ou quando, por enfermidade ou deficiência mental, não possui discernimento necessário para a prática do ato sexual.

Em números gerais, das 108 vítimas de violência sexual em Mogi, 86 se enquadravam no estado de vulnerabilidade. No ano retrasado, a porcentagem foi similar, das 131 vítimas, 100 pertenciam ao grupo vulnerável, cerca de 76,3% do total de casos registrados.

O número, que já é alto, pode ser ainda maior quando consideradas estatísticas que apontam que a maioria das vítimas de estupro não notificam o crime. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima que, no Brasil, apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia, configurando, portanto, um dos crimes mais subnotificados e menos solucionados.

Mais do que ameaças do agressor são responsáveis pelo silêncio das vítimas, de acordo com a última pesquisa realizada pelo Datafolha sobre o tema, em 2016, mais de um terço da população (33%) consideram que a vítima é culpada pelo estupro. O medo da condenação pública é uma das explicações para a subnotificação.

G5

Dentro do G5 - conjunto dos cinco municípios mais populosos do Alto Tietê - Itaquaquecetuba apresentou os piores índices, segundo a SSP. Em 2020 a cidade reportou 117 ocorrências de violência sexual, cerca de 12% a menos do que o registrado em 2019, quando 133 pessoas foram vítimas de estupro em Itaquá. O maior número de casos também ocorreu contra vulneráveis, dos 117 casos do ano passado, 90 pertenciam ao grupo.

Em seguida, Suzano figura com a terceira pior taxa da região, no acumulado do ano passado 79 pessoas foram estupradas na cidade. Na comparação com 2019, quando 96 ocorrências foram registradas, os casos caíram 17,7%. Dos 79 casos recentes, 62 eram vulneráveis.

Apesar de ser a menos populosa, Poá é a quarta cidade onde este tipo de crime é mais cometido no G5. No ano passado A delegacia de Poá foi informada de 39 ocorrências, 17% a menos do que o registrado no ano retrasado, quando 47 casos foram reportados. Entre o acumulado de 39 vítimas, 30 pertenciam ao grupo de vulnerabilidade.

Fechando os dados do G5, em Ferraz de Vasconcelos 37 vítimas denunciaram ou tiveram a violência denunciada por terceiros. Na comparação com 2019, Ferraz teve a maior queda percentual de casos, menos 30,1%. Em números gerais, no ano retrasado foram 53 vítimas. Como ocorre nas demais cidades citadas, a maioria das vítimas é vulnerável, no ano passado, das 37, 24 pertenciam ao grupo.

*Texto revisado pelo editor.