Casos de estupros caem 17,3% em 2020 em relação a 2019

Delegacias registraram casos de violência sexual contra as mulheres
Delegacias registraram casos de violência sexual contra as mulheres - FOTO: Divulgação

A quantidade de estupros registrados no G5 - grupo das cinco cidades mais populosas do Alto Tietê - caiu 17,3% em 2020. No ano passado, 380 vítimas relataram casos às delegacias estabelecidas na região, em 2019 foram 460. A maioria das ocorrências informadas no ano passado, foi cometida contra vulneráveis. Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba registraram o maior número de casos, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP).

Do total de vítimas, 76,6% foram classificados como estupro de vulnerável, que é quando a vítima é menor de 14 anos, portanto ainda não completou o seu desenvolvimento físico e psíquico, quando não pode oferecer resistência ou quando, por enfermidade ou deficiência mental, não possui discernimento necessário para a prática do ato sexual.

Em números gerais, das 380 vítimas contabilizadas na soma de Mogi, Itaquá, Suzano, Ferraz de Vasconcelos e Poá, 292 se enquadravam no estado de vulnerabilidade. No ano retrasado, a porcentagem foi similar, das 460 vítimas, 358 pertenciam ao grupo vulnerável, cerca de 77,8% do total de casos.

O número, que já é alto, pode ser ainda maior quando consideradas estatísticas que apontam que a maioria das vítimas de estupro não notificam o crime. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estima que, no Brasil, apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia, configurando, portanto, um dos crimes mais subnotificados.

Mais do que ameaças do agressor são responsáveis pelo silêncio das vítimas, de acordo com a última pesquisa realizada pelo Datafolha sobre o tema, em 2016, mais de um terço da população brasileira (33%) consideram que a vítima é culpada pelo estupro. O medo da condenação pública é uma das explicações para a grande subnotificação.

Isoladamente, Itaquaquecetuba apresentou os piores índices, segundo a SSP. Em 2020 a cidade reportou 117 ocorrências de violência sexual, cerca de 12% a menos do que o registrado em 2019, quando 133 pessoas foram vítimas de estupro. O maior número de casos também ocorreu contra vulneráveis, dos 117 casos do ano passado, 90 pertenciam ao grupo.

Mogi teve 108 casos no total em 2020, uma redução de 17,5% na comparação com os 131 casos de 2019. Da soma do ano passado, 86 se encontravam em estado vulnerável.

Em seguida, Suzano figura com a terceira pior taxa da região, no acumulado do ano passado 79 pessoas foram estupradas na cidade. Na comparação com 2019, quando 96 ocorrências foram registradas, os casos caíram 17,7%. Dos 79 casos recentes, 62 eram vulneráveis.

Apesar de ser a menos populosa entre os cinco municípios estudados, Poá é a quarta onde este tipo de crime é mais cometido. No ano passado A delegacia de Poá foi informada de 39 ocorrências, 17% a menos do que o registrado no ano retrasado, quando 47 casos foram reportados. Entre o acumulado de 39 vítimas, 30 pertenciam ao grupo de vulnerabilidade.

Fechando os dados do G5, em Ferraz de Vasconcelos 37 vítimas denunciaram ou tiveram a violência denunciada por terceiros. Na comparação com 2019, Ferraz teve a maior queda percentual de casos, menos 30,1%. Em números gerais, no ano retrasado foram 53 vítimas. Como ocorre nas demais cidades citadas, a maioria das vítimas é vulnerável, no ano passado, das 37, 24 pertenciam ao grupo.s.

*Texto supervisionado pelo editor.