Professores alertam para risco da volta às aulas presenciais

Apeoesp usou carro de som para chamar a atenção das pessoas sobre o problema
Apeoesp usou carro de som para chamar a atenção das pessoas sobre o problema - FOTO: Divulgação

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) realizou uma carreata contra o retorno das aulas presenciais nas escolas. A manifestação ocorreu ontem pelas ruas de Mogi das Cruzes e culminou em um protesto em frente ao prédio da Diretoria de Ensino. Em greve sanitária desde o início das aulas presenciais, em 8 de fevereiro, os professores clamam por mais transparência na divulgação dos casos de coronavírus (Covid-19) que surgiram nas escolas da região nos últimos dias.

Com o objetivo de chamar a atenção do Poder Público para os riscos do retorno presencial nas escolas estaduais de Mogi e região, a subsede da Apeoesp estabelecida no município está promovendo uma série de ações. De acordo com os professores, a Diretoria de Ensino da cidade está sendo omissa diante do surgimento de novos casos da doença nas escolas. A atitude também ignora recomendações de fechamento completo das escolas após detecções de casos confirmados.

"O sindicato vai entrar com representação jurídica contra a dirigente devido a este comportamento omisso em relação aos professores, funcionários e alunos", informou a vereadora de Mogi e conselheira estadual licenciada da Apeoesp, Inês Paz (Psol). "Além disso, estamos visitando as escolas e durante as vistorias verificamos uma série de irregularidades em relação aos protocolos exigidos", completou Inês.

A coordenadora da subsede da Apeoesp em Mogi, Vania Pereira da Silva, também protestou contra o que chamou de "tentativa de maquiar" o real número de casos da Covid-19 nas escolas. "Os números precisam se tornar públicos. É uma questão de utilidade pública e a omissão acaba trazendo a sensação de normalidade, quando enfrentamos uma alta de casos", lamentou.

Para a coordenadora do sindicato em Mogi, a Prefeitura também tem se mostrado ausente diante do tema. "A Secretaria Municipal de Saúde e a Vigilância Sanitária precisam se envolver, os casos estão surgindo nas escolas estaduais, mas os atendimentos e internações serão registrados pelo sistema municipal de saúde", lamentou Vania.

A Prefeitura, por sua vez, alega que a Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Departamento de Vigilância Sanitária, tem feito vistorias em escolas da cidade. O trabalho é realizado em atenção a denúncias ou processos. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 162 ou no eouve.com.br.

Na sexta-feira da semana passada, em assembleia, a Apeoesp decidiu pela continuidade da greve sanitária considerando a importância do movimento diante da falta de preparo das escolas na promoção de um retorno com segurança.

*Texto supervisionado pelo editor.

Deixe uma resposta

Comentários