365 dias

Mogi chega ao primeiro ano de pandemia lutando por leitos

Situação caótica, com leitos 100% ocupados, deixam o setor da Saúde em estado de alerta para os próximos dias

André Diniz
12/03/2021 às 05:30
Atualizada em 12/03/2021 às 05:30.
Mogi News/Arquivo

Mogi News/Arquivo

Um ano se passou desde o primeiro caso de coronavírus (Covid-19) no Alto Tietê, registrado em Ferraz de Vasconcelos. A doença respiratória, que antes era apenas uma questão dos noticiários internacionais, ganhou uma nova dimensão envolvendo aspectos econômicos, sociais, culturais, além da gestão pública de todas as cidades do país. Em Mogi das Cruzes, a pandemia da Covid-19 passou a trazer o desafio no atendimento à saúde da população no período da segunda onda de contaminações.

Em Mogi das Cruzes, maior cidade do Alto Tietê, o primeiro caso confirmado veio em 18 de março de 2020, e o primeiro óbito aconteceu no dia 31 de março - um homem de 68 anos, com histórico de condições pré-existentes, no bairro Mogilar. Hoje, a cidade conta com mais de 18,8 mil casos positivos e 768 mortes confirmadas.

Atualmente, a cidade tem como principal desafio a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Enfermaria, onde as vagas para pacientes começa a rarear- um dos principais apelos do prefeito Caio Cunha (Pode) tem sido pelo distanciamento e pela população ficar em casa, onde não há mais espaço para atendimento de casos de trauma. "A pandemia tem sido o maior desafio da saúde nos últimos tempos para todos os municípios. O desafio tem sido buscar ações rápidas e parcerias para ampliar o número de leitos de acordo com a demanda e, paralelamente, avançar com a vacinação", afirmou a Secretaria Municipal da Saúde em nota.

Demais cidades

Segundo dados do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), o primeiro caso confirmado de Covid-19 foi no dia 11 de março de 2020, com uma trabalhadora da saúde na cidade de Ferraz de Vasconcelos. Naquele instante, o Brasil contava com apenas 52 casos confirmados da doença em seu território e nenhuma morte, enquanto acompanhava as notícias dos surtos no norte da Itália e em Wuhan, na China, mas passado 365 dias, eis que o Alto Tietê registrou mais de 61,8 mil casos confirmados da doença e 2.396 mortes até ontem.

Para Adriana Martins, coordenadora da Câmara Técnica de Saúde do Condemat, os principais desafios no primeiro ano da pandemia foram descobrir os detalhes sobre como atua o vírus, o limite da capacidade do sistema de saúde na segunda onda com a insuficiência de leitos e recursos humanos, entre outros pontos. "Neste anos tivemos o início da vacinação, uma conquista importante nesta luta, porém os nossos desafios persistem, seja na questão de dificuldades estruturais para o enfrentamento da pandemia, quanto na questão da conscientização da população", afirmou.

Ferraz, que foi a primeira cidade da região a ter um caso confirmado de Covid-19, com uma moradora da Vila Santo Antônio, teve sua primeira morte no dia 1º de abril do ano passado. Desde então, 232 pessoas morreram por conta da doença. "A resistência de parte da população em se utilizar os meios de proteção, como máscara, álcool e evitar aglomerações tem sido nosso principal desafio", apontou a Prefeitura ferrazense.

Suzano entrou na rota da Covid em 19 de março, com o primeiro caso confirmado, e tendo a primeira morte pela doença no dia 24 de março. Até ontem, dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que 391 pessoas já perderam a vida pela síndrome respiratória. "Nosso maior desafio é dispor de vagas suficientes para internação de pacientes com Covid-19 seja na cidade ou por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), executar as medidas de restrição que possam combater o avanço da doença sem prejudicar a atividade econômica, incentivar a população a seguir os protocolos sanitários essenciais, combater as aglomerações, entre outros", apontou em nota.

Itaquaquecetuba teve seu primeiro caso de Covid-19 em 26 de março, e sua primeira morte pela doença em 13 de abril do ano passado. Até o ontem, 8.140 pessoas haviam sido contaminadas e 440 pessoas perderam a vida. "Está sendo feita uma reestruturação em toda a Secretaria Municipal de Saúde, além do desenvolvimento de ações educativas através do Departamento de Comunicação", informou em nota.

A Prefeitura de Poá, por sua vez, informou por nota que seu primeiro caso foi em 13 de março, e o primeiro óbito confirmado no dia 31 do mesmo mês. Segundo dados da Câmara Técnica do Condemat, 4.975 pessoas foram contaminadas e 175 perderam a vida.

Mortes

Nas últimas 24 horas, mais 13 mortes por coronavírus foram confirmadas na região. Os casos ocorreram em Arujá (2), Ferraz (2), Itaquaquecetuba (5) e Mogi(4).

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