Mogi não recebe projetos de moradias sociais há 15 anos

Em Mogi das Cruzes são 4,6 mil unidades da CDHU
Em Mogi das Cruzes são 4,6 mil unidades da CDHU - FOTO: Arquivo Mogi News

Mogi das Cruzes está há 15 anos sem receber novas moradias populares pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). A última vez que o município foi beneficiado pelo programa, em 2006, 1.020 famílias foram contempladas. Também sem entregas do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, desde 2019, o apelo por habitação cresce e é refletido nas crescentes ocupações registradas em vários pontos da cidade.

Em meio à ausência de programas sociais de habitação e agravamento da crise econômica com a pandemia do coronavírus (Covid-19), a ocupação de Áreas Públicas de Proteção Permanente (APP) se intensificou e registrou um "boom" nas duas últimas semanas, informou a Prefeitura.

A última entrega de residências pela CDHU - empresa ligada ao governo do Estado - ocorreu no ano de 2006. Na ocasião, foram entregues os empreendimentos Jundiapeba I e II, Vila Nova Aparecida e parte do Conjunto Toyama, beneficiando um total de 1.020 famílias. Ao todo, existem 4.600 unidades da CDHU na cidade.

Também sem participação em Mogi desde novembro de 2019, o governo federal, por meio do programa Minha Casa Minha Vida, não realizou mais nenhuma entrega de casas para as famílias mogianas. No beneficiamento mais recente, 520 famílias ganharam um lar e entraram para a contagem das 5.240 unidades do programa na cidade.

Repercussão

O tema voltou a ganhar destaque após a repercussão da demolição de casas no Jardim Planalto e Aeroporto III, na quinta-feira passada, quando, por meio de uma live nas redes sociais que alcançou 700 mil visualizações, uma moradora se revoltou com a ação da Prefeitura e questionou a legitimidade da ação.

Sobre a ausência de novas moradias populares em Mogi, o Executivo municipal explicou que está em busca de terrenos para a construção de unidades habitacionais e também em tratativas com o governos estaduais e federais. "Buscamos apoio técnico e financeiro para viabilizar a construção de novas moradias populares na cidade, para poder atender a demanda local", declarou.

A falta de política habitacional e diminuição do poder aquisitivo da classe trabalhadora em decorrência da crise econômica, são fatores que podem explicar a intensificação do processo de ocupação de áreas de preservação no município. Além disso, em meio ao desespero, falsos corretores estariam se aproveitando da situação para vender lotes irregulares, o baixo valor dos terrenos é um dos principais atrativos. De acordo com uma denúncia anônima recebida pelo grupo Mogi News, alguns lotes estariam sendo negociados por cerca de R$ 15 mil.

Regularização

Como em vários locais a ocupação já se encontra estabelecida há anos, a Coordenadoria Municipal de Habitação informou que está dando andamento a diversos processos de regularização fundiária. "Já foram regularizados 15 núcleos habitacionais, além de um conjunto habitacional (CDHU Vila Cléo), totalizando 2.591 unidades habitacionais regularizadas. Considerando os vários núcleos e conjuntos habitacionais em processo de regularização, serão aproximadamente 6 mil famílias beneficiadas", explicou.

As áreas são: Chácara Santo Ângelo (1,5 mil famílias), Vila Natal (500 famílias), Vila Nova União (616 famílias), Vila Nova Aparecida (117 famílias), Vila Apolo (30 famílias), Vila Cléo (200 famílias), Jardim das Bandeiras (31 famílias), Vila Moraes - fase 01 (108 famílias), ruas Projetadas do Rodeio (135 famílias), CDHU Toyama (740 famílias), CDHU Seki (200 famílias), CDHU Pitangueiras (320 famílias), CDHU Cezar de Souza (1360 famílias), CDHU Jundiapeba (500 famílias), CDHU Vila Nova Aparecida (480 famílias) e CDHU Vila Cléo (40 famílias).

*Texto supervisionado pelo editor.

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