Leitos de UTI Covid em Mogi continuam 100% ocupados

Esperança está na abertura de 30 leitos do Pezzuti
Esperança está na abertura de 30 leitos do Pezzuti - FOTO: Emanuel Aquilera

Mogi das Cruzes entrou na Fase Emergencial do Plano São Paulo com ocupação de 100% nos leitos de Unidade de Terapia Exclusiva (UTI) reservados para pacientes com coronavírus (Covid-19). Menos desafogado, porém com elevado e preocupante índice de ocupação, a soma dos leitos de Enfermaria dos sete hospitais que atendem o município é de 83,6%. Com o colapso do sistema de Saúde, Mogi vive a expectativa de receber os 30 novos leitos até amanhã no Hospital Doutor Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, em Jundiapeba. A unidade será a segunda sob responsabilidade do governo do Estado a ofertar internações aos infectados na cidade, trabalhando em conjunto com o Luzia de Pinho Melo.

A oferta de novos leitos no Pezzuti pode ajudar a reduzir os riscos de um iminente colapso no atendimento a pacientes de Covid-19 no município e na região. Até mesmo a recente abertura de nove leitos de UTI e 46 de enfermaria na Santa Casa de Misericórdia acabou sendo superada pela demanda por internações: com os leitos abertos na última sexta-feira), ao final da tarde de ontem a unidade hospitalar já estava com 100% dos leitos de UTI e 63% dos leitos de enfermaria ocupados.

Segundo a direção da Santa Casa de Mogi, a ocupação está sendo feita tanto pela demanda direta dos pacientes que procuram o local para atendimento quanto pelo encaminhamento feito pela Prefeitura e pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross).

De acordo com a mais recente atualização da Prefeitura, os hospitais da rede estadual, municipal e particular estão com todos seus leitos de UTI completamente ocupados.

Em números gerais, a ocupação de 100% se traduz em 143 leitos exclusivos estabelecidos nos hospitais Municipal, Santa Casa, Luzia de Pinho Melo, Hospital Ipiranga, Hospital Santana, Biocor e Mogimater. Também da soma de vagas ofertadas pelas unidades de Saúde citadas, 189 dos 226 leitos de Enfermaria - utilizados para reabilitação de pacientes com sintomas menos graves - estão ocupados.

O mogiano temeroso pelos índices de internação registrados pela cidade buscar atendimento nos municípios vizinhos também deverá encontrar dificuldades. Os hospitais regionais que atendem a região oscilam entre o colapso e a ocupação máxima. No Hospital Doutor Osíris Florindo Coelho, em Ferraz de Vasconcelos, a ocupação dos 26 leitos de UTI também é de 100%. Ainda não completamente ocupada, porém com bem menos leitos, das dez vagas para UTI no Santa Marcelina, em Itaquá, apenas uma se encontra vaga. Por outro lado, os 20 leitos de Enfermaria estão completamente ocupados.

Ação de despejo

Até amanhã, o Arnaldo Pezzuti deverá receber 30 leitos. No mesmo local, onde já funcionou o primeiro leprosário brasileiro, os moradores locais enfrentam a ameaça de despejo em plena pandemia.

Estabelecidos há décadas nas antigas casas dentro do terreno do hospital que serviam de morada aos pacientes com hanseníase, os descendentes dos pacientes e até mesmo antigos internados receberam, em dezembro do ano passado, uma ordem de despejo do governo do Estado com prazo de desocupação dos imóveis em até seis meses.

Diante da situação, a Prefeitura de Mogi se manifestou de forma solidaria aos moradores. "Não estamos de acordo com o despejo dessas famílias, tendo em vista que trata-se de moradias consolidadas, de famílias que residem no local há muitos anos e também considerando a situação pandêmica. A administração, portanto, posiciona-se em defesa a essas famílias e vai analisar o caso, além de tentar diálogo com os responsáveis pela área", disse.

O processo judicial corre desde 2014 mas com a pressão de moradores, além da divulgação do caso em plena pandemia, o governo paulista decidiu recuar e a Procuradoria Geral do Estado (PGE), em razão do agravamento da crise sanitária, solicitou a suspensão temporária do despejo.

(Colaborou André Diniz)

(*Texto supervisionado pelo editor.)