Câmara de Mogi alerta para colapso no sistema funerário

No Cemitério da Saudade, em Braz Cubas, novas covas estão sendo abertas
No Cemitério da Saudade, em Braz Cubas, novas covas estão sendo abertas - FOTO: Emanuel Aquilera

O vereador Pedro Komura (PSDB) da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes informou nesta terça-feira que, caso não sejam tomadas novas medidas nos cemitérios públicos do município, o colapso do sistema funerário poderá ocorrer nos próximos dois meses.

O parlamentar afirmou que apenas cem das 600 sepulturas construídas no ano passado estão vagas, e que atualmente 240 sepultamentos ocorrem mensalmente no Cemitério da Saudade. "Esta é uma média de oito sepultamentos por dia, incluindo sábados, domingos e feriados", reforçou Komura.

Uma das soluções apontadas pelo vereador seria a instalação de um crematório na cidade, permitindo uma alternativa aos parentes que perderam seus entes queridos. "No final de 2020, foi aprovada a Lei 7.619/2020, que permite que o município venha a normatizar e licitar serviços funerários, incluindo crematórios. Estou acompanhando este processo e quero tratar deste assunto com a população mogiana", afirmou.

O município conta com três cemitérios municipais: São Salvador, Saudade e Sabaúna, além de um cemitério particular. Segundo a Prefeitura de Mogi das Cruzes, o trabalho segue normalmente, com vagas suficientes para atender à demanda. "Os três cemitérios municipais, juntos, reunem cerca de 18 mil sepulturas. A quantidade inclui sepulturas perpétuas e provisórias, em que famílias podem fazer o sepultamento, utilizando o local por um período de até 36 meses. Passado esse período, é feita a remoção dos restos mortais para nichos localizados no próprio cemitério ou ainda são encaminhados ao ossário geral", explicou a Administração Municipal.

Questionada sobre o ritmo de enterros diariamente, a Prefeitura de Mogi informou que em média são realizados oito cerimônias por dia nos cemitérios públicos e que, desde o início da gestão, toda a demanda foi atendida.

Em relação à instalação de um crematório, a Gestão Municipal informou que o estudo não está descartado por parte das autoridades. "O município segue as diretrizes da legislação vigente e, por já se aproximar de uma população de meio milhão de habitantes, é elegível para ter este serviço", concluiu em nota.

Na legislatura passada, a Câmara de Mogi das Cruzes chegou a criar uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) presidida por Komura para avaliar a situação dos cemitérios municipais e da falta de vagas. O problema vem se arrastando já algum tempo e já veio à tona em ocasiões anteriores. A CEV também avaliou demais problemas apontados nos cemitérios. O Cemitério São Salvador praticamente não tem mais vaga apenas para quem já tem sepultura adquirida algum tempo por lá de famílias mais tradicionais.

PANDEMIA

Segundo dados da Câmara Técnica de Saúde do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), Mogi das Cruzes registrou desde o início do mês 61 novos óbitos por conta da pandemia da Covid-19, o que representa uma média de 3,81 novos sepultamentos por dia.