Prefeitura endurece circulação de pessoas para evitar Covid-19

Anúncio foi feito pelo prefeito Cunha ao lado do secretário de Saúde, Naufel
Anúncio foi feito pelo prefeito Cunha ao lado do secretário de Saúde, Naufel - FOTO: PMMC/Divulgação

Mogi das Cruzes passará a ter uma nova série de restrições a partir de segunda-feira com o objetivo de impedir a circulação de pessoas e reduzir o contágio do coronavírus (Covid-19). A chamada Fase Crítica terá duração de dez dias e, segundo o prefeito Caio Cunha (Pode), poderá evoluir para um lockdown caso não haja redução de casos e mortes pela doença. A situação pode chegar a tal ponto que médicos terão de escolher quem deverá receber o atendimento nas UTIs.

Dentre as medidas a serem tomadas estão a permissão para drive-thru apenas para serviços essenciais como farmácias e alimentação; a restrição no trânsito de pessoas será durante 24 horas por dia, e não mais apenas no período do toque de recolher do Estado, das 20 às 5 horas, sendo permitido apenas o deslocamento para trabalho, compras de mantimentos e medicamentos, bem como atendimento médico. O prefeito reforçou que irá intensificar a fiscalização, principalmente em parques e praças onde possa ocorrer aglomerações.

Outro ponto dentro da Fase Crítica, além da redução ao máximo de ocupação em supermercados, sendo permitida apenas uma pessoa a cada 20 metros quadrados, no interior dos estabelecimentos. Segundo Cunha, a medida está sendo debatida com proprietários dos supermercados, com a possibilidade de instituir a abertura em horário prolongado, visando diluir e impedir a formação de filas nas entradas dos mercados.

O anúncio foi feito em um videoconferência de imprensa, em que esteve acompanhado da vice-prefeita Priscila Yamagami Kehler (Pode) e do secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel. A medida tem como foco abrir uma margem de trabalho para desafogar a demanda de leitos para as próximas semanas, após uma série de reuniões nas últimas semanas em que o Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus da chegou a recomendar a adoção do fechamento total das atividades.

O Executivo municipal tomou como base o aumento desenfreado de casos na região e em Mogi, que chegou ao seu oitavo dia sem vagas disponíveis para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e com os leitos de Enfermaria já ultrapassando a marca de 95% de ocupação. "Precisamos deixar bem claro que, no pico da primeira onda, Mogi das Cruzes tinha 77 leitos de UTI à disposição e chegou a uma taxa máxima de ocupação de 46%. Hoje temos o dobro de leitos de UTI, que não estão dando conta, não importa quantos leitos possamos disponibilizar. A solução neste momento é vacina e isolamento social, para brecar o contágio", cobrou o secretário de Saúde de Mogi.

Questionado sobre a escolha das regras da Fase Crítica em vez do lockdown, Cunha explicou que esta medida seria utilizada como um último recurso, e necessitaria da união de esforços dos prefeitos ddo Alto Tietê. "Mogi é uma cidade em uma região amplamente integrada, que não pode ser uma 'ilha de lockdown' enquanto outras cidades adotam medidas mais leves para buscar reduzir a transmissão do vírus", informou.

Na região

Amanhã uma reunião com os prefeitos do Alto Tietê deverá ocorrer com o governador João Doria (PSDB). Para o presidente do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) e prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PL), medidas que restringem ainda mais a circulação de pessoas pela região devem ser adotadas.