Falecimentos em Mogi sobem 30% segundo Fundação Seade

Evolução das mortes em Mogi das Cruzes apurada entre os anos de 2000 e 2020
Evolução das mortes em Mogi das Cruzes apurada entre os anos de 2000 e 2020 - FOTO: Seade

Mogi das Cruzes registrou aumento de 30,6% na evolução de mortes em 2020, alta tem influência direta do coronavírus (Covid-19) e poderia ser 22 pontos percentuais menor sem o impacto da pandemia. Das 3.335 mortes gerais registradas no ano passado, 546 foram de pacientes com sintomas graves da Covid-19. De acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) entre o ano 2000 e 2015 os óbitos registrados pelos cartórios mogianos não ultrapassaram 2,6 mil.

O impacto do primeiro ano da pandemia em Mogi das Cruzes já pode ser percebido na comparação com o que vinha sendo registrado nos anos anteriores. Entre 31 de março de 2020 - data da primeira morte por Covid-19 em Mogi - e 31 de dezembro, a pandemia acrescentou 546 óbitos no acumulado do ano. O resultado foi um saldo de quase mil mortes há mais do que vinha sendo registrado em 2015.

O total de óbitos no ano passado destoa da tendência que vinha sendo registrado em Mogi nos últimos 20 anos. A divulgação quinquenal de evolução dos óbitos pela Seade aponta que entre o ano 2000 (2.024 óbitos) e 2005 (1.953 óbitos) houve redução de 3,5% no total de mortes. Entre 2005 e 2010 (2.384 óbitos) os cartórios declararam 22% mais mortes na cidade. Seguindo a cronologia, entre 2010 e 2015 (2.567 óbitos) o crescimento foi de 7.6%. Dentro dos anos citados, a maior variação, registrada entre 2005 e 2010 equivale, em número totais, a 431 mortes.

Agora, quando comparado o saldo de óbitos de 2015 com 2020 (3.335 óbitos), a variação é de 768 casos. Sem os 546 falecimentos confirmados por sintomas da Covid-19 do ano passado, o saldo seria de 222 falecimentos e a variação percentual entre 2015 e 2020 seria de 8,6% e não de 30,6%, portanto, cerca de 22 pontos percentuais a menos.

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De forma similar, a pandemia impactou todas as cinco cidades mais populosas do Alto Tietê. Em Suzano, por exemplo, a evolução dos óbitos alcançou aumento percentual de 29%, saltando de 1.681 óbitos em 2015 para 2.170 em 2020. No ano passado 288 falecimentos foram relatados a sintomas graves da Covid-19. Sem essas mortes, o aumento percentual natural teria sido de apenas 11,9% relevando que a pandemia gerou um saldo 17,1 pontos percentuais maior do que deveria ser na cidade naquele ano.

Em Itaquaquecetuba, o aumento foi de 30,1%. Em números totais, em 2015, foram registrados 1.662 óbitos gerais e, em 2020, no acumulado do ano, 2.163 pessoas morreram, 354 delas devido à Covid-19. A diferença poderia representar um aumento bem menor, de 8,8%, cerca de 21,3 pontos percentuais sem o impacto da pandemia.

Com aumento percentual ainda maior, Ferraz de Vasconcelos marcou uma evolução de óbitos 31,8% superior no ano da pandemia. Em 2015 foram registrados 915 mortes gerais e em 2020 o número de óbitos saltou para 1.206, dos quais 183 foram decorrentes da Covid-19. Sem as mortes adicionais em razão da pandemia, a evolução de óbitos teria sido de 11,8%, cerca de 20 pontos percentuais menor.

Respondendo pela menor população entre as cinco cidades, Poá superou toda a região registrando um crescimento de 31,9% no número de óbitos em 2020. Em 2015 foram declarados 661 falecimentos e no ano passado o número saltou para 872. Desse recente acumulado, 136 foram mortos pela Covid-19 até 31 de dezembro. Sem a nova doença, a evolução natural de óbitos teria sido de 11,3% e 20,6 pontos percentuais, traduzidos em vidas, teriam sido poupados.

*Texto supervisionado pelo editor.

 

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