Pandemia aumenta casos de maus tratos contra animais

Passar mais tempo com os animais domésticos em um período como a pandemia da Covid-19, quando diversas pessoas trabalham em home office, pode ser um momento de receber e dar mais carinho aos pets. No entanto, o outro lado da realidade aponta que, para muitos animais de estimação, esta tem sido uma fase em que os maus tratos se tornam cada vez mais intensos e recorrentes.

Foi o que explicaram a vereadora de Mogi das Cruzes, Fernanda Moreno (PV), e a fundadora da ONG Projeto Adote Suzano (PAS), de Suzano, Marta Rodrigues. "Infelizmente, assim como nos casos de violência doméstica, os maus tratos aos animais também sofrem aumento durante períodos em que eles passam mais tempo com seus agressores", lamentou a vereadora.

Fernanda Moreno, que também é criadora da ONG FERA de Mogi, explicou ainda que nem sempre os sinais de violência aos animais são visíveis, já que eles também sofrem psicologicamente. Existem agressores que sentem prazer em agredir e não deixar marcas aparentes. Os casos mais visíveis e que chocam, segundo ela, são os que negligenciam os animais que acabam sendo devorados por bicheira (miíase).

"Recentemente, resgatei um cão que vivia amarrado, sem alimentação adequada e com a cabeça aberta cheia de larvas. A perna dele já tinha o osso exposto por causa dessa negligência absurda. O animal estava sendo devorado vivo", detalhou Fernanda. De acordo com Marta Rodrigues, o abandono também se tornou mais recorrente durante a pandemia, além dos maus tratos.

Conforme a defensora dos animais explicou, algumas famílias acreditam que os animais de estimação podem transmitir a Covid-19 e os abandonam. "A pandemia gerou um maior índice de desemprego no país e, com a falta ou diminuição da renda familiar, muitas pessoas na hora de optar por cortar custos abandonam os animais", disse.

Isto ocorre, geralmente, com intenções de evitar custos com alimentação dos animais ou gastos veterinários. Além disso há relação entre os agressores de animais por muitas vezes terem histórico de violência com pessoas.

O ex-tenente-coronel da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, Robis Nassaro, investigou as fichas criminais das 643 pessoas autuadas por maus tratos aos animais de 2010 a 2012. Além de 90% deles serem homens, 204 têm outros registros criminais. O levantamento foi transformado no livro "Maus tratos aos animais e violência contra as pessoas".