Sem leitos, Mogi propõe adoção de um lockdown no Alto Tietê

Hospitais seguem com atendimento no limite
Hospitais seguem com atendimento no limite - FOTO: Mogi News/Arquivo

A situação da ocupação de leitos nas cidades mais populosas da região seguiu ontem com a tendência de alta para a ocupação de leitos para pacientes de coronavírus (Covid-19). Desde a primeira semana de março, os municípios apontam aumento no número de pacientes internados e de óbitos pela doença, tanto nos leitos de Enfermaria quanto de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Segundo o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), na última reunião de prefeitos realizada ontem, o prefeito Caio Cunha (Pode) propôs aos municípios do consórcio a aplicação de um lockdown regional nas doze cidades integrantes do consórcio, incluindo Santa Branca e Guarulhos, mas a proposta foi rejeitada pelos municípios, alegando que a única efetividade de uma medida deste calibre é com toda a Região Metropolitana de São Paulo, devido ao trânsito diário de moradores entre as cidades.

A Câmara Técnica de Saúde do Condemat informou que não conta com novas informações sobre o processo de instalação de 60 leitos no Hospital Estadual Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti, sendo 30 de enfermaria e 30 de UTI. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, os dez leitos de UTI e os 20 leitos de Enfermaria já disponibilizados no Hospital Dr. Pezzuti já estão ocupados.

Em Suzano, a Secretaria de Saúde local informou que a taxa de ocupação de leitos de UTI está em 87%, mas a ocupação de leitos de Enfermaria segue acima da cota destinada para a doença, com 126%.

Em Itaquaquecetuba, a Prefeitura informou que os 35 leitos de enfermaria e os 11 leitos de emergência seguem ocupados.

A Pasta municipal da Saúde de Poá declarou que 15 dos 22 leitos de Enfermaria Covid-19 estão ocupados (taxa de 68%), mas que os dois leitos de emergência dedicados à doença seguem atendendo pacientes (taxa de 100%).

Já na cidade de Guararema, apenas três das 16 vagas de Enfermaria reservadas para o tratamento da síndrome respiratória possuem pacientes. O município não conta com vagas para UTI.

Mogi

A Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio da Secretaria de Saúde, informou que hoje chega ao seu 19º dia com ocupação completa de leitos de UTI em sua rede. Até o final da tarde de ontem, todos os 103 leitos de alta complexidade e os 162 de enfermaria de responsabilidade do município estão ocupados, além dos leitos nos hospitais particulares, na Santa Casa de Misericórdia e no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo.

O prefeito de Mogi das Cruzes Caio Cunha (Pode) chegou a fazer um apelo à população para que colabore com as medidas de distanciamento social decretadas no município com a Fase Crítica de restrições à circulação de pessoas. "Estou aqui no Hospital Municipal de Braz Cubas, e a situação está crítica. Faltam leitos, medicamentos, muita coisa - não tem mais lugar para colocar ninguém. Passei pelas ruas e vi muita gente despreocupada, caminhando mesmo com o comércio fechado. Peço a todos vocês encarecidamente: não saiam de casa se não for necessário", concluiu.

Segundo o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), na última reunião de prefeitos realizada ontem, o prefeito Caio Cunha (Pode) chegou a propor ao municípios do consórcio a aplicação de um lockdown regional nas doze cidades integrantes do consórcio. A proposta foi rejeitada pelos municípios, alegando que a única efetividade de uma medida deste calibre é com toda a região metropolitana de São Paulo, devido ao trânsito diário de moradores entre as cidades da Grande São Paulo.

Mortes

A região registrou 69 mortes por Covid-19 nas últimas 72 horas, a maioria dos óbitos ocorreu na cidade de Mogi das Cruzes, que informou 32 falecimentos.