O desafio do desenvolvimento de crianças com TEA na pandemia

Psicóloga Luciana Garcia informou aumentou o número de pais buscando ajuda
Psicóloga Luciana Garcia informou aumentou o número de pais buscando ajuda - FOTO: Divulgação

No Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo, celebrado hoje, o tema ganha destaque e se relaciona com o modo como as crianças se desenvolveram neste primeiro ano de pandemia do coronavírus (Covid-19). Os pais precisam se atentar ao comportamento dos filhos e buscar ajuda quando perceber características apresentadas por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Muitos comportamentos são semelhantes, mas um diagnóstico precisa ser realizado para confirmar a suspeita ou entender se a criança está recebendo poucos estímulos em razão do isolamento social.

Com um ano da Covid-19, já se começa a falar dos chamados "filhos da pandemia". Uma geração de crianças que começa a se desenvolver em um mundo cheio de novas regras, mais restrito e menos aberto a experiências com o ambiente. Isoladas em casa, sem aulas há meses e com pouquíssima interação com os pais, os indícios de atraso no desenvolvimento já começam a aparecer nas clínicas especializadas.

"O número de pais buscando atendimento porque seus filhos apresentaram dificuldades para interagir socialmente ou atraso no desenvolvimento motor aumentou. Nesses novos casos, percebemos também diversas situações compatíveis com diagnóstico de autismo, mas é preciso entender cada caso e verificar se não se trata de falta de estímulos", explicou a psicóloga Luciana Garcia, especialista em Neuropsicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora no Ambulatório de Dificuldades de Aprendizagem do Instituto da Criança, no Hospital das Clínicas da USP.

Luciana contou que muitas dessas características são decorrentes da superexposição das crianças a celulares, tablets, computadores e televisão. O abuso está sendo responsável por atrasos no desenvolvimento da fala, coordenação motora, interação social e outras características comuns ao autismo. "Para se desenvolver de forma adequada, toda criança precisa receber estímulos diferentes. De frente para esses aparelhos durante boa parte do dia e isoladas em casa há meses, os estímulos e interações são escassos e insuficientes", disse a especialista.

Com isso, os pais não podem se deixar levar pela crença de que cada criança tem o seu próprio tempo para se desenvolver e com o passar dos anos as coisas vão se ajustar. "Isso não existe na ciência", pontuou a psicóloga, alertando que assim que atrasos forem sendo percebidos, as famílias devem buscar um especialista.

Além da busca por ajuda externa, os pais também podem trabalhar um desenvolvimento saudável de seus filhos dentro de casa. A recomendação é o estimulo de todos os cinco sentidos; visão, olfato, paladar, audição e tato. "É através deles que as crianças percebem o mundo ao seu redor. Os pais precisam reaprender a brincar com seus filhos pois hoje sabemos que o contato com o ambiente é fundamental na formação deles", completou Luciana.

Entre as interações sugeridas, os pais podem fazer desenhos e estimular o contato com as cores, ouvir músicas de todos os gêneros e com diferentes instrumentos musicais com seus filhos. Também vale pedir ajuda para as crianças nas tarefas domésticos em casa, até nas mais simples, como separar pares de meias, novas conexões estão sendo criadas. Além disso, limites devem ser impostos no acesso aos aparelhos eletrônicos.

*Texto supervisionado pelo editor.

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