Mogi amplia alternativas para manter serviço de sepultamento

Cemitério São Salvador, em Mogi, é um dos três públicos instalados na cidade
Cemitério São Salvador, em Mogi, é um dos três públicos instalados na cidade - FOTO: Mogi News/Arquivo

Março foi o mês com o maior número de mortes pela pandemia na região, registrando 621 casos fatais nas dez cidades, sendo 152 em Mogi das Cruzes, de acordo com levantamento do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat). Com este cenário, a Prefeitura de Mogi se viu com a necessidade de buscar novas soluções e evitar um novo tipo de colapso: o do sistema funerário.

A preocupação com a alta de sepultamentos pela pandemia fez com que Mogi e outras cidades adotassem, desde o primeiro semestre do ano passado, atitudes para evitar o colapso do sistema funerário, como foi observado em outras partes do mundo e do país, onde houve necessidade de criar covas coletivas para acomodar todos os corpos.

Mogi possui três cemitérios municipais que têm aproximadamente 18 mil sepulturas e, segundo a Prefeitura, atualmente existem 200 vagas disponíveis para atender o público. "Nos três cemitérios, que são administrados pela Prefeitura, são realizados em média oito sepultamentos por dia", explicou o Executivo. Para atender a demanda futura, está programada a construção de mais 850 jazigos, sendo que 150 já estão em fase de licitação. Os demais estão autorizados para construção.

Em Suzano, os dois cemitérios públicos receberam ao longo do mês passado 333 sepultamentos, sendo cerca de um terço de vítimas da Covid-19 (110 pessoas). "No ano passado foram construídas 150 novas gavetas emergenciais, e está em andamento um estudo para elaboração de processo licitatório destinado à construção de mais gavetas ainda neste ano. Este levantamento, inclusive, vai apontar quantas serão possíveis instalar", afirmou a Prefeitura em nota.

Em Itaquaquecetuba, que teve no último dia do mês o maior número de mortes, a média de enterros nos três cemitérios municipais subiu para oito sepultamentos/dia, devido à pandemia, mas não necessitou tomar medidas mais drásticas. "A Prefeitura não precisou abrir novas sepulturas, pois o processo de exumação acontece diariamente, o que supre a demanda. O município abriu 1.352 covas em 2019, enquanto que, em 2020, foram 1.571", disse a Prefeitura.

A cidade de Poá, com um cemitério público, apontou que em média cinco dos oito enterros diários que realiza é devido à Covid. "O município conta com 72 gavetas e foram abertas 150 novas covas. Não foi necessário recorrer a ações extraordinárias", reiterou.

A situação do sistema funerário em Guararema, que teve 65 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, conta com dois cemitérios públicos e um sepultamento a cada dois dias, sendo que apenas 20% dos enterros são por conta da Covid-19. "Não adotamos medidas de expansão até o momento, pois não foi necessário", explicou.

Avanço da doença

Um dos exemplos da agressividade do momento epidemiológico foi o levantamento diário divulgado pelo Condemat na quarta-feira passada. Em um período de 24 horas, nas dez cidades do Alto Tietê foram registrados 66 óbitos pela doença. Itaquá foi a que teve mais mortes: 21 (13 homens e oito mulheres), seguido de Poá, com 15 fatalidades, Suzano com nove e Mogi com seis.