Ocupações irregulares deixam marcas eternas no ecossistema

Áreas de Preservação Permanente (APPs) são as mais visadas pelas famílias sem teto
Áreas de Preservação Permanente (APPs) são as mais visadas pelas famílias sem teto - FOTO: Mogi News/Arquivo

Recebendo uma onda de ocupações irregulares, reflexo da ausência de programas de habitação nos últimos 15 anos, Mogi das Cruzes poderá sofrer impactos ambientais permanentes. Desesperadas por um lar, muitas famílias buscam um recomeço, muitas vezes, em áreas de risco. Próximos da várzea de rios e dentro de Áreas de Preservação Permanente (APPs), as ocupações irregulares geram impactos negativos para o meio ambiente e sociais para seus moradores.

Localizado entre as serras do Mar e do Itapeti e cortada pelo rio Tietê, mais de 65% do território mogiano é situado em áreas de preservação ambiental, abrigando espécies raras da flora e da fauna, muitas delas sofrendo riscos de extinção. Mogi está inserida na segunda maior reserva de Mata Atlântica do Estado de São Paulo.

Essa biodiversidade, no entanto, está ameaçada. "Um crescimento urbano desordenado, proveniente de ocupações irregulares ou mal planejadas, acaba trazendo reflexos negativos e permanentes para o meio ambiente", explicou a engenheira ambiental Gabriela Inestal Ferre, que atua com parecer de viabilidade ambiental e consultoria de projetos de engenharia renováveis na M2G. "Construções em áreas de preservação criam um desequilíbrio para o ecossistema e geram problemas para as populações instaladas no local como falta de saneamento, coleta seletiva de lixo e até mesmo transporte", completou.

Há 15 anos sem receber novas moradias populares pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e também sem entregas do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, desde 2019, o apelo por habitação segue crescendo. Inflado pelas grandes dificuldades econômicas que a classe trabalhadora tem passado nos últimos anos, a demanda por moradia tem resultado em ocupações irregulares em todo o Alto Tietê.

"As APP ou Áreas de Preservação de Mananciais (APMs) são muitas vezes locais de risco. Estamos falando de áreas de deslizamento e inundação, as famílias que buscar moradia em ocupações irregulares nesses espaços estão indo por necessidade", lamentou a engenheira. Além dos riscos inerentes, as populações desses locais também acabam sofrendo com a falta de políticas públicas. Até mesmo serviços básicos como saneamento, iluminação, transporte e coleta de lixo tendem a faltar nos primeiros anos de ocupação.

"A própria ocupação da APP ou APM, somada com a falta de saneamento e coleta de lixo, além dos prejuízos causados para as populações, prejudica várias espécies, danifica seus habitats e causa impactos ambientais irreversíveis", pontuou Gabriela. Como solução, a especialista sugere constância no monitoramento das áreas. Já para as áreas ocupadas, é preciso uma revisão do programa de zoneamento da cidade levando em conta quais pontos podem ser regularizados de forma adequada.

*Texto supervisionado pelo editor.

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