Região trabalha para evitar colapso funerário pela Covid

Em Suzano, apenas no mês passado, foram sepultadas 110 vítimas fatais da Covid
Em Suzano, apenas no mês passado, foram sepultadas 110 vítimas fatais da Covid - FOTO: Mariana Acioli/Arquivo

O mês de março registrou o maior número de mortes causadas pela pandemia da Covid-19 na região, com 621 vítimas em 31 dias, segundo levantamento do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat). Diante do total de 2.907 casos fatais desde o final de março do ano passado, uma nova necessidade começa a surgir: a destinação dos corpos das vítimas.

Um dos exemplos da agressividade do momento epidemiológico foi o levantamento divulgado pelo Condemat na quarta-feira passada. Em um período de 24 horas, nas dez cidades do Alto Tietê foram registrados 66 óbitos pela doença. Itaquaquecetuba foi a que teve mais mortes: 21 (13 homens e oito mulheres), seguido de Poá, com 15 fatalidades, Suzano com nove e Mogi das Cruzes com seis.

A preocupação com a alta de sepultamentos pela pandemia fez com que as cidades adotassem, desde o primeiro semestre do ano passado, atitudes para evitar o colapso do sistema funerário, como foi observado em outras partes do mundo e do país, onde houve necessidade de criar covas coletivas para acomodar todos os corpos.

Em Mogi, foram registrados 152 óbitos pela doença em março. A cidade possui três cemitérios municipais que têm aproximadamente 18 mil sepulturas no total. Atualmente existem 200 vagas disponíveis para atender o público. "Nos três cemitérios, que são administrados pela Prefeitura, são realizados em média oito sepultamentos por dia", explicou o Executivo.

Para atender a demanda futura, a Prefeitura de Mogi reiterou que está programando a construção de mais 850 jazigos, sendo que 150 já estão em processo de licitação. Os demais estão autorizados para construção.

Em Suzano, os dois cemitérios públicos municipais receberam ao longo do mês passado 333 sepultamentos, sendo cerca de um terço de vítimas da Covid-19 (110 pessoas). "No ano passado foram construídas 150 gavetas emergenciais, e está em andamento um estudo para elaboração de processo licitatório destinado à construção de mais gavetas ainda neste ano. Este levantamento, inclusive, vai apontar quantas serão possíveis instalar", afirmou a Prefeitura em nota.

Em Itaquá, que teve no último dia do mês o maior número de mortes, a média de enterros nos três cemitérios municipais subiu para oito sepultamentos/dia, devido à pandemia, mas não houve necessidade de tomar medidas mais drásticas. "A Prefeitura não precisou abrir novas sepulturas, pois o processo de exumação acontece diariamente, o que supre a demanda. O município abriu 1.352 covas em 2019, enquanto que em 2020 foram 1.571", disse a Prefeitura local.

A cidade de Poá, com um cemitério público, apontou que em média cinco dos oito enterros diários que realiza é devido à Covid-19. "O município conta com 72 gavetas e foram abertas 150 novas covas. Não foi necessário recorrer a ações extraordinárias", reiterou.

A situação do sistema funerário em Guararema, que teve 65 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, conta com dois cemitérios públicos e um sepultamento a cada dois dias, sendo que apenas 20% dos enterros são por conta da Covid-19. "Não adotamos medidas de expansão até o momento, pois não foi necessário", explicou a administração.