Henrique Naufel é exonerado do comando da Saúde de Mogi

Médico Naufel assumiu no início da pandemia e ficou mais de um ano no cargo
Médico Naufel assumiu no início da pandemia e ficou mais de um ano no cargo - FOTO: Ney Sarmento/PMMC

A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou na manhã de ontem que o médico Henrique Naufel não está mais à frente da Secretaria Municipal de Saúde. O anúncio foi feito dias após o encerramento do prazo dado pelo Ministério Público (MP) como recomendação para sua exoneração.

A administração municipal emitiu uma nota, informando que "a medida atende à recomendação do Ministério Público do Estado de São Paulo", que orientava para a exoneração de Henrique Naufel.

Na nota, a Prefeitura informa que os trabalhos desenvolvidos na cidade no combate à pandemia seguirão "de forma intensa, baseados na ciência e na razão". No mês de março, Naufel chegou a recomendar ao Comitê Gestor da Pandemia do novo coronavírus que a cidade passasse a adotar medidas mais severas para conter a disseminação, incluindo a possibilidade de um lockdown. No entanto, o município adotou a Fase Crítica com limitação no funcionamento de estabelecimentos e na circulação de pessoas entre os dias 22 de março e 11 de abril.

Segundo o Executivo, uma comissão interna irá assumir temporariamente a condução dos trabalhos da Pasta para que não haja qualquer tipo de interrupção aos serviços prestados, além de realizar uma análise sobre os trabalhos desenvolvidos. "Estes dados irão subsidiar o novo nome que irá assumir a função e que, no momento, segue em tratativas", concluiu em nota.

A reportagem tentou entrar em contato com o ex-secretário para obter mais informações, mas até o fechamento da matéria não foi possível efetuar um contato com o médico. Segundo Dirceu do Valle, advogado de Naufel, a decisão pela exoneração coube à Prefeitura de Mogi das Cruzes.

Segundo apurações da reportagem, outros três servidores da Secretaria Municipal de Saúde também apresentaram seus pedidos de demissão, entre eles a coordenadora da rede básica de Saúde, Tatiana Melo, que foi indicada pelo ex-secretário Naufel. No entanto, a Prefeitura garante que não haverá alterações nos serviços oferecidos à população nem ao trabalho já iniciado.

Relembre o caso

O pedido da exoneração foi feito no dia 8 de março pelo promotor de Justiça Kléber Henrique Basso, da Vara do Patrimônio Público e Social. Segundo o MP, Naufel teria recebido de maneira irregular a vacinação contra a Covid-19 no final de janeiro, juntamente com os profissionais da Saúde que estavam atuando na linha de frente da pandemia.

Durante o período de 30 dias concedido à Prefeitura para realizar a exoneração, o prefeito Caio Cunha (Pode) reiterou por diversas vezes que o secretário atuava de forma ativa no comando da Pasta, visitando regularmente as unidades hospitalares e verificando quais eram suas necessidades.

Na última sexta-feira, durante a entrevista dos seus primeiros 100 dias como prefeito, Cunha esclareceu à imprensa que promoveu reuniões com os promotores do MP pedindo um prolongamento do prazo para a decisão final, devido às necessidades da pandemia da Covid-19. "Estamos falando com os promotores do Ministério Público, nosso foco agora é em salvar vidas", ressaltou o chefe do Executivo na ocasião.

Henrique Naufel estava há mais de um ano na função, iniciando o trabalho na gestão anterior. Ele foi mantido pelo atual prefeito durante a transição de governos ocorrida após as eleições de 2020.

GESTãO DE CAIO CUNHA REGISTRA A 3ª MUDANçA EM QUATRO MESES

Nos primeiros quatro meses de governo, a saída de Naufel representa o quarto caso envolvendo membros do primeiro escalão da Prefeitura de Mogi das Cruzes, sendo sua terceira mudança no primeiro semestre de governo.

Na primeira quinzena de janeiro, o secretário-adjunto de Esporte e Lazer, Henrique Barreiros, foi afastado do cargo após circular pelas redes sociais imagens e vídeos com declarações suas de cunho antidemocrático.

Em 11 de fevereiro, a Câmara de Mogi das Cruzes arquivou um pedido de cassação do mandato do prefeito Caio Cunha (Pode) que foi feito por um militante político junto ao Legislativo. O pedido apontava uma suposta irregularidade na escolha de Francisco Cardoso de Camargo Filho, o Cochi, como secretário de Governo, alegando que ele teria sido condenado na Justiça por improbidade administrativa. Cochi foi inocentado em segunda instância e não teve seus direitos políticos cassados.

Alegando motivos pessoais, Rose Tonete deixou a Secretaria Municipal de Educação no dia 9 de março. (A.D.)

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