Estado não define destino das Casas de Agricultura

O futuro das Casas da Agricultura do Alto Tietê segue indefinido. Desde novembro do ano passado o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) aguarda uma resposta do governo do Estado sobre a manutenção das unidades na região. A estrutura é responsável por assessorar de cerca 57% das propriedades agrícolas catalogados no Alto Tietê, conforme levantamento do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes.

Sob ameaças de encerramento devido a uma reformulação imposta pelo governo do Estado para enxugar gastos, mais de 4,7 mil unidades de produção, distribuídas em 26 mil hectares de áreas cultivadas no Alto Tietê poderão ficar permanentemente sem atendimento das Casas da Agricultura. A demanda é grande e cerca de seis mil atendimentos são registrados no ano.

Em setembro do ano passado, o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Gustavo Junqueira veio pessoalmente em Mogi das Cruzes para anunciar um "processo de modernização" dos postos que incluiria o fechamento de diversas unidades consideradas subutilizadas. Para evitar o fim dos atendimentos, rodadas de reuniões se seguiram convocando diversas entidades ligadas ao setor no Alto Tietê com o objetivo de criação alternativas.

"As Casas da Agricultura são como o SUS (Sistema Único de Saúde) para o produtor rural. Quando alguém fica doente e não tem condições de pagar um convênio, procura atendimento no sistema público, assim também é com os agricultores. Muitos não conseguem pagar um técnico e recorrem a essas unidades, que agora correm o risco de fechar", explicou o sindicato rural na ocasião.

A convergência de propostas resultou na oferta, em novembro, do Condemat em estabelecer o Alto Tietê como sede de uma nova regional na Grande São Paulo. Desde então, o tema caiu no esquecimento e não voltou a ter respostas da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento. O Alto Tietê é conhecido historicamente como Cinturão Verde por sua intensa atividade agropecuária, na qual são produzidos alimentos e bens de consumo diversificados e que abastecem cerca de 20 milhões de habitantes da Região Metropolitana.

*Texto supervisionado pelo editor.