Alto Tietê registra 94 pessoas desaparecidas desde janeiro

Em toda o Alto Tietê, há 106 investigações para encontrar os desaparecidos
Em toda o Alto Tietê, há 106 investigações para encontrar os desaparecidos - FOTO: Mogi News/Arquivo

Levantamento feito pelo Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes apontou que, somente neste ano, 94 boletins de ocorrências (BOs) foram registrados em algumas das delegacias das dez cidades do Alto Tietê. Os números levam em conta os dados computados até o mês passado, ou seja, esse número já pode estar maior do que o dado divulgado pela SHPP, uma vez que a média de desaparecimento, até o final de março, é de mais de uma pessoa por dia.

Ainda segundo a SHPP, os desaparecidos são, em sua maioria, do sexo masculino e jovens, que saem dos seus lares em função de conflitos familiares, uso de drogas, envolvimento em crimes, transtornos mentais, depressão e alcoolismo. Ao todo existem 210 Procedimentos de Investigação de Desaparecimento (PIDs) na região, de 2016 até 2021. "Destes, 109 ainda estão em andamento para a localização dos desaparecidos e os demais já foram localizados, porém, aguardando o Boletim de Ocorrência de Encontro de Pessoa, um dos instrumentos que põe fim às investigações", informou o SHPP à reportagem durante a semana passada.

São realizadas, também, pesquisas junto aos sistemas de informação ao alcance da Polícia Civil, diligências junto aos familiares, amigos, hospitais, Instituto Médico Legal (IML), albergues e dentre outras. Para o Setor de Homicídios, uma ferramenta eficiente é a divulgação de fotografias e o compartilhamento do fato nas redes sociais.

Criador do projeto Encontrando Vidas, o mogiano Marcos Antonio Pinto de Moraes já identificou quase 200 desaparecidos com a função independente exercida há cinco anos. O Guarda Civil Metropolitano (GCM), que atua em São Paulo, explicou que a segurança pública deveria ter um trabalho de centralização de dados à população. "Quando houver uma política pública que trate deste caso com mais seriedade em relação a unificação e centralização de dados, com certeza teremos menos desaparecidos no Brasil", afirmou.

Os familiares podem prevenir para que não ocorra um desaparecimento, conversando com os adolescentes caso tenham problemas em casa, conhecendo seus amigos e os sites de pesquisas utilizados constantemente.

"O cuidado especial com os idosos, identificando-os, de alguma maneira, para que caso se percam, ou sofram algum problema de saúde, possam ser identificados nos atendimentos", aconselhou o GCM. Ele recomendou, ainda, que todos registrem um BO imediatamente após notar o desaparecimento de qualquer indivíduo, e que não esperem as 24 horas, como é de praxe ao informar um desaparecimento.

Outros anos

No entanto, ao observar o número de pessoas com paradeiro desconhecido, é possível notar uma grande oscilação. Nos três últimos anos, o maior número de desaparecimentos no Alto Tietê foi de 634 pessoas, em 2019. Um ano antes, 502 registro de pessoas desaparecidas foram feitos, já no ano passado, por sua vez, 396 moradores da região, desapareceram.