Vereadores rejeitam pedidos de cassação do prefeito Cunha

Mesa Diretiva efetuou a leitura dos pedidos antes de encaminhar para votação
Mesa Diretiva efetuou a leitura dos pedidos antes de encaminhar para votação - FOTO: Diego Barbieri/CMMC

A Câmara de Vereadores de Mogi das Cruzes rejeitou na tarde de ontem, por 22 votos a um, os dois pedidos de cassação contra o prefeito Caio Cunha (Pode), protocolados no Poder Legislativo por militantes políticos da cidade. 

Os pedidos, que foram encaminhados à Procuradoria Jurídica da Casa de Leis, acusavam o atual chefe do Poder Executivo de cometer crime de improbidade administrativa. Os autores dos pedidos pediram que fosse utilizado o rito definido pelo decreto-lei federal 201/67, que estabeleceria a criação de uma Comissão Processante (CP) para apurar e levar ao plenário o relatório para votação final.

Na apresentação dos pedidos, que foram lidos pela Mesa Diretiva da Câmara, o prefeito teria sido cúmplice em possíveis atos cometidos pelo ex-secretário de Saúde, Henrique Naufel, em um suposto esquema de vacinação irregular de servidores da Pasta contra o coronavírus desde o final de janeiro deste ano.

Durante as discussões, antes da votação do pedido, o vereador Iduigues Martins (PT) ressaltou o papel difícil que foi imputado aos parlamentares em definir tal procedimento, uma vez que colocava a instituição do Legislativo sob os olhares da opinião pública de uma maneira delicada.

O vereador ressaltou que a sociedade merece explicações diante das denúncias que estão sendo apuradas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio da Vara da Fazenda Pública do município, e ressaltou que respeita a todos os servidores da área da Saúde, que desde o início da polêmica vêm sendo hostilizados por setores da população.

"Acredito que deve ser instaurada uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para dar voz aos trabalhadores da Saúde, que poderão explicar o que de fato aconteceu. A Casa pode e deve investigar. Mas colocar a cassação em primeiro plano é colocar o carro na frente dos bois", explicou.

Único voto a favor da instauração da comissão processante, a vereadora Inês Paz (Psol) reiterou que o fez não com o intuito de interromper o mandato do atual prefeito, mas de sensibilizar os colegas a assinar a criação da CEI do Fura-Fila (leia mais ao lado). "Desde o início desta polêmica envolvendo o ex-secretário, venho buscando o apoio para a criação desta comissão. Votei a favor para que se faça uma investigação", ressaltou.

O líder do governo na Câmara, vereador Marcos Furlan (DEM), agradeceu aos colegas por rejeitar o que chamou de "pedido absurdo", reiterando que o caso de Naufel como imunizado teve como critério o fato de ser médico e de trabalhar diariamente junto às unidades hospitalares durante o momento mais crítico do que hoje é chamado por "segunda onda" da pandemia.

Desafio da gestão

Na tarde de segunda-feira, durante entrevista coletiva para a apresentação do médico legista e ginecologista Zeno Morrone Júnior como novo titular da Pasta de Saúde, o prefeito de Mogi afirmou que estava convicto que os pedidos de cassação representavam um desafio da atual gestão diante de outros grupos políticos na cidade. "É um sinal de que estamos incomodando algumas pessoas que não queriam ser incomodadas", respondeu Caio Cunha.

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