Saúde segue sem data para retorno de cirurgias eletivas

Segunda onda da pandemia impediu que a cidade retornasse com as operações
Segunda onda da pandemia impediu que a cidade retornasse com as operações - FOTO: Mogi News/Arquivo

A Secretaria de Saúde de Mogi das Cruzes informou que a rede municipal de Saúde de Mogi das Cruzes segue ainda sem uma previsão de retorno para a realização de cirurgias eletivas.

O questionamento surgiu com as mudanças no comando da Pasta, realizadas no final do mês passado, e da queda nos números de ocupação de leitos de Enfermaria e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para casos de coronavírus (Covid-19). No início do ano, a Prefeitura de Mogi das Cruzes chegou a estabelecer estudos para a retomada das operações eletivas na rede, mas o aumento de casos no primeiro trimestre com a chamada "segunda onda" da pandemia suspendeu todas as atividades.

A Pasta municipal da Saúde esclareceu que o Hospital Municipal Pref. Waldemar Costa Filho, localizado no distrito de Braz Cubas, segue sendo o único serviço da rede municipal que realiza cirurgias e continua como unidade de referência na rede para a pandemia. "No caso do Hospital Municipal de Mogi, ainda não há previsão", explicou.

Questionada pelas especialidades médicas que poderão ser prioritárias em uma eventual retomada, a administração municipal informou que dependerá de levantamentos e estudos oportunos. "No entanto, antes da pandemia, o Hospital Municipal realizava cirurgias de baixa complexidade como de vesícula, de hérnia e cirurgias ginecológicas", apontou.

No que se refere ao número de pacientes que aguardam por cirurgias não-urgentes na rede municipal, o governo municipal explicou que não existe no momento uma fila de espera. "Estas filas tramitam internamente nos equipamentos que realizam os procedimentos ou pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross)", concluiu.

Santa Casa

A Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes informou que, em relação às cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS), estão sendo observadas as orientações da Secretaria Municipal de Saúde e do Ministério Público. "Como somos uma empresa privada sem fins lucrativos, as cirurgias eletivas particulares e de convênios de planos de saúde e seguros-saúde estão liberadas", informou em nota.

ESPECIALISTA ALERTA PARA ADIAMENTO DE CIRURGIAS

Nascimento é médico do Servidor Público
Nascimento é médico do Servidor Público - FOTO: Divulgação

O médico Luiz Antonio do Nascimento, especialista em geriatria pelo Hospital Municipal do Servidor Público de São Paulo e especialista em clínica médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica, explicou que é preciso fazer uma distinção entre procedimentos médicos que podem ser adiados indefinidamente e aqueles que, embora possam ser adiados, devem ter acompanhamento.

"Precisamos ressaltar que algumas cirurgias podem ser consideradas não essenciais por serem de caráter estético. Outras, que são de especialidades, devem ser observadas antes que desenvolvam complicações que podem afetar a qualidade de vida ou mesmo a segurança do paciente", afirmou.

Uma das especialidades das cirurgias eletivas é a ortopedia, que pode ter complicações a médio e longo prazo. "Cirurgias para a correção de fraturas, em alguns casos, pode levar o paciente a ficar acamado por um longo período de tempo, desenvolvendo lesões como escaras, além do risco de uma infecção hospitalar caso seja internado por um período prolongado".

Na visão do especialista, a normalização da fila de espera pode ser de até dois anos. "Pelo número de pessoas que aguardam, do número de especialidades e da capacidade da rede, este pode ser o tempo até que a situação volte ao ponto de antes da pandemia", concluiu. (A.D.)

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