Grupo pede reabertura de Enfermaria Psiquiátrica

O Dia Nacional da Luta Antimanicomial no Brasil, celebrado ontem, foi marcado pela luta da reabertura da Enfermaria Psiquiátrica do Hospital Regional Doutor Osíris Florindo Coelho, em de Ferraz de Vasconcelos. Fechado desde 2014 para reformas, o Estado prometeu reinauguração ainda neste semestre. Manifestantes revelaram que pacientes chegaram a morrer por falta de atendimento adequado.

No domingo passado, 15 manifestantes protestaram em frente ao hospital, denunciando o descaso com usuários e familiares de serviços de saúde mental na região. Com sua Enfermaria Psiquiátrica fechada há sete anos, os pacientes de Ferraz, Poá e Suzano que necessitam de internação psiquiátrica são atendidos no Pronto Socorro (PS) do Hospital.

Só que o espaço improvisado não possui condições para esse tipo de tratamento. Muitos pacientes evadem e outros voltam para casa. "Como o PS não possui a estrutura adequada para receber esses pacientes, a evasão é frequente. Nessa situação acabamos recebendo diversos relatos de pacientes que acabaram morrendo pela falta de cuidado do hospital", afirmou José Rubens Milano, psicanalista e servidor da saúde em Suzano.

A Secretaria de Estado de Saúde, responsável pela unidade, confirmou que os pacientes recebidos pelo hospital são atendidos no PS, mas rebateu a denúncia de que estariam desassistidos. "Todos são mantidos em observação e se houver necessidade de internação são cadastrados no sistema da Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (Cross) para transferência e serviços de referência", declarou.

Mas a versão dos fatos apresentada pelo governo paulista diverge da realidade observada pelos profissionais que atendem o público. "Temos casos em que os familiares dos pacientes são obrigados a ficar no local para evitar a evasão. Essa transferência de responsabilidade do hospital para os familiares revela a falta de condições para o atendimento no local", pontuou Milano, representando um coletivo de trabalhadores e integrantes do Fórum de Saúde Mental do Alto Tietê.

O psicanalista revelou que, em um desses atendimentos improvisados, uma paciente que havia passado por uma cirurgia e, portanto, precisava ser internada para recuperação, acabou evadindo e, na rua, pegou uma infecção generalizada que culminou em óbito. "A mãe dessa paciente, obrigada a permanecer no OS, acabou se expondo ao coronavírus e agora está intubada", lamentou Milano.

*Texto supervisionado pelo editor.