Tempo de estiagem pede atenção

No final de maio, Spat marcava 57,9% da capacidade total de armazenamento
No final de maio, Spat marcava 57,9% da capacidade total de armazenamento - FOTO: Mogi News/Arquivo

O Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), do governo federal, emitiu um alerta de emergência hídrica para a região que abrange o Estado de São Paulo, devido à previsão de chuvas abaixo da média no período de junho a setembro. Somente na área das represas que compõem o Sistema Produtor Alto Tietê (Spat), o volume de água armazenado em 31 de maio foi de apenas 57,9% da capacidade, inferior aos percentuais registrados no fechamento do mês de maio de 2020 (77,3%) e de 2013 (63,5%), ano que antecedeu a última crise hídrica.

Mais uma vez atento a esse possível cenário de escassez de água nos próximos meses, o Serviço Municipal de Águas e Esgoto (Semae) de Mogi das Cruzes reforça as recomendações para o consumo consciente de água e hábitos de economia, evitando desperdícios.

Para abastecimento público em Mogi das Cruzes, a autarquia faz a captação no rio Tietê, após descargas das barragens que estão à montante (antes) da captação, o que depende da regra operacional do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). A água das represas é utilizada pela Sabesp, na Estação de Tratamento Taiaçupeba, em Suzano.

A autarquia vem intensificando as ações para evitar desperdícios, como o combate a vazamentos. Por meio da técnica do geofonamento, o Semae aumentou sua eficácia no combate aos vazamentos com um acréscimo de 45% na média mensal de manutenções. No ano passado, foram realizados 667 reparos por mês, em média. De janeiro a abril de 2021, o número subiu para 967.

Isso não significa que o número de vazamentos seja maior. A autarquia explicou que este aumento é resultado da intensificação do geofonamento, que permite a localização de vazamentos não-visíveis e a rápida solução.

O geofonamento identifica vazamentos não-visíveis, que são aqueles em que a água não aflora à superfície, mas permanece embaixo da terra. A verificação é feita nas redes e ramais (tubulações que ligam a rede de distribuição da rua aos imóveis) por meio de equipamentos mecânicos e eletrônicos que detectam ruídos.

De 1º de janeiro a 28 de maio de 2021, o Semae já inspecionou 364 quilômetros de tubulações com o uso de geofones.

Vazamentos não visíveis ocasionam desperdício de água e transtornos aos moradores, já que reduzem a pressão nas redes, podendo causar até desabastecimento. A metodologia do geofonamento aprimora atuação das equipes, ao agilizar manutenções preventivas e corretivas.

Outra ação que tem contribuído para reduzir o desperdício é a substituição de ramais, em vez do reparo. Quando há vazamento numa dessas ligações, a autarquia tem priorizado a troca, o que diminui a possibilidade de novos vazamentos.

O Semae solicita a colaboração de todos os moradores para que, ao identificar um vazamento, entrem em contato pelo telefone 115.

Economia

A autarquia orienta medidas simples para economizar água. O chuveiro, por exemplo, é considerado um dos principais meios de desperdício. Durante o banho, desligá-lo enquanto se ensaboa o corpo pode representar uma redução de 80 litros de água consumida, dependendo do tempo de banho. Em um mês, são 2,4 mil litros de água (por pessoa) que deixam de ir desnecessariamente para o ralo.

Cinco minutos de torneira aberta na pia da cozinha ou no tanque consomem cerca de 75 litros.

Outras recomendações, não só do Semae como de muitas companhias de abastecimento, são fechar a torneira ao escovar os dentes, fazer lavagens de roupas sempre com a máquina cheia (apenas quando tiver carga suficiente para completá-la), além de identificar e reparar possíveis vazamentos internos