Câmara questiona serviço funerário durante sessão

Um caso envolvendo o extravio dos corpos de duas vítimas do coronavírus (Covid-19) ocorrido na última semana, em Mogi das Cruzes, gerou um amplo debate ontem entre membros da Câmara de Vereadores. Os parlamentares levantaram questionamentos sobre os serviços prestados à população.

O caso envolveu duas vítimas, um homem de Mogi e uma mulher de Suzano, que teriam sido trocados pela empresa responsável pelos serviços funerários em ação no município. As famílias envolvidas entraram em contato com as autoridades, pedindo a correção imediata.

A primeira parlamentar a tratar do caso foi Inês Paz (PSOL). A vereadora criticou o trabalho realizado, em especial da realização do contrato emergencial na modalidade de carta-convite em que a empresa foi designada para atuar no município, citando uma decisão judicial que cancelou o processo realizado pela administração municipal.

O vereador José Luiz Furtado (PSDB) atribuiu o caso como "grave" e exigiu que a Prefeitura realize uma apuração interna para definir as responsabilidades no caso, como uma prestação de contas à população. "As empresas que atuam no município devem fazê-las com responsabilidade e, acima de tudo, com o preço justo", afirmou.

O parlamentar José Francimário Vieira de Macedo (PL), o Farofa, defendeu a realização de um processo licitatório adequado para o serviço funerário, e que a escolha de uma empresa por carta-convite não é compatível com a natureza do serviço prestado, e lembrou de outras apurações realizadas pelo Ministério Público na cidade, como a envolvendo o ex-secretário de Saúde, Henrique Naufel, no caso do fura-fila das vacinas. "Sempre torcemos para que a administração dê certo. O presidente da comissão responsável pelas licitações na cidade deve ser competente", exigiu.

O vereador Pedro Komura (PSDB), por sua vez, lembrou que em 2020 uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) acompanhou o processo de licitação no município, e lembrou que as regras anteriormente eram de mais de 30 anos, e que não atendiam à demanda do município, que chega a até 600 sepultamentos por mês. (A.D.)