Boulos critica postura do Estado em temas-chave

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e segundo colocado nas eleições a prefeito de São Paulo em 2020, Guilherme Boulos (Psol), visitou o Alto Tietê, ontem, com o intuito de conversar com lideranças comunitárias e políticas como parte da articulação dos movimentos de esquerda paulista.

Boulos visitou de Mogi das Cruzes e Suzano. Em entrevista ao Grupo MogiNews, Boulos defendeu a necessidade de fomento do potencial do Alto Tietê para a produção agrícola familiar, por meio de programas de auxílio aos produtores rurais, e a proteção ambiental da bacia do Alto Tietê, que fornece água para grande parte da Grande São Paulo. "Hoje vivemos o receio de uma crise hídrica e energética, com o risco de apagões e de aumentos na tarifa de eletricidade. A Sabesp tem atuado na lógica do lucro aos acionistas na Bolsa de Valores de Nova Iorque e não tem atuado para garantir um abastecimento seguro", criticou.

Sobre a preservação dos recursos hídricos, em especial o rio Tietê, Boulos defendeu a implantação de um modelo descentralizado de estações de tratamento de esgoto, diferentemente do que é realizado hoje. No campo da questão habitacional, o psolista tratou das questões das áreas livres e ocupações que ocorrem na região, onde defendeu três eixos para a redução da incidência de ações em áreas de preservação ambiental (APA). "Áreas de mananciais devem ser protegidas, mas é preciso fazer a distinção de que as invasões de maior impacto ocorrem por empresas que invadem estas áreas. Precisamos ter uma política habitacional em São Paulo novamente, já que o governo Dória fechou a Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU), que era a única ferramenta do Estado. E precisamos dar a regularização fundiária para famílias que vivem há mais de 20 anos num local e vivem com o fantasma da desapropriação sobre suas cabeças, à mercê da especulação imobiliária", apontou.

Sobre a pandemia da Covid-19 no Estado, Boulos classificou a atuação do Palácio dos Bandeirantes como "errática e elitista", por não manter uma atuação constante na abertura e fechamento do comércio, e por não criar mecanismos de assistência à parcela da população mais vulnerável ao lockdown. Na área da Educação, Boulos concordou com as recentes críticas da vereadora mogiana Inês Paz (Psol) sobre a retomada das aulas presenciais na rede estadual de ensino. "Temos escolas em São Paulo sem água e salas de aula sem janelas. Como é possível criar condições adequadas assim?", lamentou.

Crítico do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Boulos mostrou-se otimista com a adesão da população ao protesto realizado no dia 29 de maio. "Isto expressa o grito da população de indignação - estamos chegando a 500 mil mortos de Covid. Não vamos esperar sentados até o fim de 22. Ninguém queria fazer um ato mas Bolsonaro não deixou outra alternativa", justificou.

Sobre recentes notícias dos bastidores da política, envolvendo uma possível proposta do Partido dos Trabalhadores (PT) para que ele retire sua candidatura ao governo do Estado em 2022 para um apoio à Prefeitura de São Paulo em 2024, Boulos negou qualquer possibilidade:

Questionado sobre o eventual diálogo e solução de conflitos com movimentos sociais em um eventual governo do Estado, Boulos enfatizou sua disposição em construir diálogos com os representantes populares. "Tenho orgulho de ter construído minha trajetória na luta por moradia digna, pelas pessoas que mais precisam. Você não pode mudar sua cabeça por estar no governo com a caneta na mão. Não pode ser assim. Pois é isso que tira a credibilidade da política: quando alguém diz e pensa uma coisa de um lado do poder e age de outra dentro do governo. Dentro do governo vou defender moradia popular, que faça diálogo com movimentos sociais, com respeito, capacidade de escuta, acolhimento das propostas", finalizou. (A.D.)

BOULOS é CONTRA E INSTALAçãO DO PEDáGIO NA MOGI-DUTRA

Os movimentos de políticos e moradores de Mogi das Cruzes e região contra a instalação de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88) ganhou nesta semana mais um apoiador: o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) Guilherme Boulos (Psol). 

Em visita ao Alto Tietê, Boulos colocou-se terminantemente contra a proposta da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) de concessão do chamado Lote Litoral Paulista, anunciado há um mês.

O político atribuiu a uma "lógica autoritária" do Palácio dos Bandeirantes a imposição do edital de licitação sem os diálogos com a comunidade e com os prefeitos da região. "Eles não estão preocupados com a população ou com o prefeito de Mogi. Temos que construir uma nova dinâmica, ter um canal permanente de diálogo com os prefeitos, de mão-dupla, para debater políticas integradas", concluiu.. (A.D.)

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