Vacinação é a melhor saída para aquecer a economia

Retração da economia foi uma das consequências da chegada do coronavírus
Retração da economia foi uma das consequências da chegada do coronavírus - FOTO: Mogi News/Arquivo

A melhora da crise econômica proveniente da pandemia de coranavírus (Covid-19) deve ocorrer tardiamente não só no Alto Tietê como em todo o país, ao passo em que as compras e as produções da vacina contra o vírus foram estabelecidas em atraso. Foi o que explicou Luis Carlos Burbano Zambrano, economista e especialista em Ciências e Técnicas de Governo, formado pela Universidad del Valle, na Colômbia, e também pela Fundación Altadir de Venezuela e Chile.

Zambrano, que hoje atua na região, apontou que era de responsabilidade do governo federal garantir não só a compra das vacinas como também a produção dos imunizantes entre os meses de abril e maio do ano passado. Desta forma, hoje, os estados e o Alto Tietê, por exemplo, teriam mais pessoas vacinadas podendo reaquecer a economia.

"O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sempre priorizou a economia acima da saúde, mas para que o setor reaqueça e as pessoas possam trabalhar, elas devem ser vacinadas", lamentou o economista.

Em Mogi das Cruzes, até meados da semana passada, enquanto 143.422 pessoas haviam recebido as aplicações da primeira dose contra a Covid-19, somente 48.969 estão imunizadas com segundo ciclo. Este é o município com o maior número de habitantes na região e por meio destes números fica claro o tempo que pode levar para que todas as pessoas estejam integralmente imunizadas.

"A vacinação no Brasil está muito lenta e já tem ocorrido com frequência de empregadores cobrarem que os candidatos estejam vacinados contra a Covid-19. Tudo depende da vacinação, então cadê a vacina para que a economia volte a funcionar?", questionou Zambrano. Com instituições como a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Butantã, para ele, o país deveria estar à frente nas imunizações.

Conforme explicou o economista, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), após a implantação do Plano São Paulo de restrições da pandemia e outros auxílios criados pelo governo federal, Prefeituras e Estados, as recolocações profissionais voltaram a crescer.

De novembro a dezembro de 2020 os empregos formais no Brasil caiu de 39.472.599 para 39.362.968 devido à segunda onda da Covid-19, quando o número de óbitos e pessoas contaminadas pela doença voltou a aumentar não só no Alto Tietê como em todo o país. Em abril deste ano, o Caged apontou que havia 40.320.857 empregos formais.

Apesar de também ter sido implantado com atraso, segundo o especialista, os setores mais afetados pela pandemia, como o Turismo, Comércio e Indústria, começaram a se recuperar após as medidas restritivas. No entanto, é provável que o Turismo leve cerca de dois anos para voltar ao estado anterior à pandemia.

Em contrapartida, o Agronegócio foi o setor menos afetado, já que as atividades agrícolas não sofreram grandes interrupções e é a última coisa que a população deixa de comprar é a comida.