'Mogi não está à venda', diz Caio Cunha em ato contra pedágio

Evento apontou possíveis problemas que a cobrança irá acarretar à população
Evento apontou possíveis problemas que a cobrança irá acarretar à população - FOTO: Gabriel Bispo/PMMC

Mogi - Em seu discurso mais contundente até o momento, o prefeito Caio Cunha (Pode) afirmou que de Mogi das Cruzes "não está à venda" por investimentos em troca da instalação da praça de pedágios na rodovia Mogi-Dutra (SP-88), e que mantém o compromisso de lutar contra a intenção do governo do Estado durante seu exercício como chefe do poder Executivo. A afirmação foi feita ontem, durante o ato "Mogi Não Quer Pedágio", realizado no Theatro Vasques, na região central da cidade.

O evento reuniu membros dos poderes Executivo e Legislativo, representantes de entidades como o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, o Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio), a Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), o movimento Pedágio Não, além de outras lideranças da sociedade civil.

Caio Cunha ressaltou que todos os esforços feitos pela comunidade e pela Prefeitura foram em resposta às ações tomadas pelo governo do Estado, e que mantém sua posição em impedir a implantação. "Fiz uma declaração em um dos primeiros protestos contra o novo edital da Artesp (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo), e mantenho a minha posição: enquanto eu for prefeito de Mogi das Cruzes, farei de tudo para que este pedágio não seja instalado. Se for preciso, vamos para a rua", afirmou.

O chefe do Executivo também comentou sobre uma conversa entre ele e o vice-governador do Estado, Rodrigo Garcia (PSDB), que teria ocorrido no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Nas palavras do prefeito, a instalação da praça de pedágio estaria atrelada a investimentos de mais de R$300 milhões em obras de infraestrutura na cidade. "Mogi das Cruzes não está à venda. As pessoas que vivem de fato nessa cidade não podem ser subjugadas de uma decisão de uma esfera superior que não pensa no caos gerado por um pedágio para sustentar uma obra no litoral", argumentou.

Ao final, Caio Cunha pediu que todos os setores da sociedade e a população como um todo tomem uma posição direta contra o pedágio. "Peço a cada um que se coloque contra este projeto, contra a injustiça social que irá gerar e contra o prejuízo que irá causar à nossa indústria, ao nosso comércio, aos nossos empregos", concluiu.

PESQUISA

O ato "Mogi Não Vai Ter Pedágio" também mostrou o resultado de uma pesquisa promovida pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), fornecido pela Associação Gestora do Distrito do Taboão (Agestab), Agência de Fomento Empresarial (AGFE) e Sincomércio.

O levantamento ouviu 406 homens e mulheres de diversas faixas etárias e níveis educacionais. O resultado, mostrou que 85% dos entrevistados são contra o pedágio da Mogi-Dutra; 9% são favoráveis à praça de cobrança e 6% não souberam ou não quiseram opinar, a margem de erro de 5% para mais ou para menos

No levantamento encomendado pelas entidades, quatro em cada cinco mogianos entrevistados estão informados do assunto, e 75% acreditam que a vinda da praça poderá trazer problemas para a população.

Um dos pontos apresentados pela pesquisa é o apoio da população a políticos que apoiam a vinda do pedágio nas próximas eleições. "O levantamento mostra que 80% dos mogianos que foram perguntados dizem que não votarão em um candidato a governador ou vice-governador que apoia este pedágio", finalizou o prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha.

SECRETáRIOS INDICAM IMPACTO DE ATé R$ 246 MILHõES AOS ANO COM COBRANçA

O encontro "Mogi Não Vai Ter Pedágio", realizado ontem no Theatro Vasques em Mogi das Cruzes, também apresentou à população os trabalhos conjuntos do poder público e dos movimentos da sociedade civil contra o projeto de concessão para a iniciativa privada, bem como esclarecer os impactos do projeto no desenvolvimento econômico, na mobilidade urbana e em outros aspectos do dia a dia da cidade, que superam os R$ 240 milhões.

Tal etapa contou com a participação da secretária de Transportes Cristiane Ayres, da Procuradora-Geral do Município Dalciane Felizardo, e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Gabriel Bastianelli.

A titular da Pasta de Transportes, em sua apresentação, mostrou as intervenções propostas pelo projeto da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e o seu impacto na malha viária, inviabilizando diversas vias como o corredor Leste-Oeste da avenida das Orquídeas, o Anel Viário e em diversos bairros. Cristiane também demonstrou que, sem o trecho de 8 km da Mogi-Dutra no edital, a arrecadação do pacote "Litoral Paulista" cai em mais de 30%, inviabilizando o projeto, por isso a insistência do governo estadual.

A procuradora jurídica Dalciani Felizardo fez uma retrospectiva das ações tomadas junto à Vara da Fazenda Pública do município e Tribunal de Contas do Estado, executadas dois dias úteis após a publicação do edital. Segundo Dalciani, a Procuradoria-Geral do Município está aguardando as próximas ações da Artesp para republicação do edital, mas que já conta com uma força-tarefa para analisar o cenário e tomar as providências cabíveis.

Bastianelli, por sua vez, apresentou o impacto para a economia da cidade. Nas contas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a cidade pode ter uma fuga de investimentos anual de R$ 246 milhões ao ano, somando o impacto na geração de emprego e renda, arrecadação de tributos e custos no sistema logístico da cidade. (A.D.)

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