Pedagoga fala sobre desafios da alfabetização na pandemia

Região - Em 8 de setembro foi comemorado o Dia Mundial da Alfabetização. A data foi instituída em 1967 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para reforçar a importância da alfabetização para o desenvolvimento social. Sob tal premissa, o grupo MogiNews/DAT conversou com a professora Kátia Batista de Medeiros, coordenadora do curso de Pedagogia do Centro Universitário Brazcubas, em Mogi das Cruzes, sobre os desafios da alfabetização no contexto da pandemia do coronavírus (Covid-19).

Segundo dados do Censo 2010, o estado de São Paulo registrou uma taxa de analfabetismo de 4,33%. Entre as dez cidades, os dados oscilam entre 3,3% na cidade de Poá, podendo chegar até 9,18% em Salesópolis.

Para Kátia, o contexto da pandemia acabou por desestabilizar a noção de "acesso universal à educação" , resguardado como um direito na Declaração Universal dos Direitos Humanos. "Tínhamos o discurso de que todos possuem o acesso, mas acabamos vendo que o Brasil não é o Estado de São Paulo, nem nossa região. E mesmo no Estado, no Alto Tietê e em Mogi, a desigualdade social acabou sendo um fator que limitou bastante o acesso aos conteúdos oferecidos nas escolas públicas", apontou.

Outro ponto trazido pela pandemia, segundo a coordenadora do Centro Brazcubas, é a lacuna deixada pelo período de mais de um ano e meio sem aulas presenciais. "Temos alunos que saíram do 9º ano que, na prática, não viveram o 8º ano do Ensino Fundamental. Alunos do 3º ano do Ensino Médio que não tiveram o 2º, e não se pode 'empurrar' este conhecimento em um único bloco para ganhar tempo", explicou, também citando a transição entre o Parâmetro Curricular Nacional (PCN) e a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), recentemente adotada pelo Ministério da Educação e a Política Nacional de Alfabetização, que ainda não está em sincronia com as políticas públicas estaduais e municipais.

Sobre as abordagens adotadas pelos municípios da região na retomada gradual das aulas presenciais, Kátia reforçou que o trabalho conjunto entre as secretarias municipais e os municípios é um ponto imprescindível na retomada do ensino público. Kátia elogiou as ações tomadas pelos municípios e pelo governo do Estado que, dentro do possível, buscou garantir a segurança da população por meio das campanhas de vacinação.

"A conversa entre as pastas de Saúde para verificar a vacinação de professores, da Educação para apurar os protocolos nas escolas, da Assistência Social para verificar as condições de quem não pode voltar não possui custos. Em um outro ponto, a adesão dos alunos para o uso de máscaras e medidas sanitárias mostrou-se bem mais abrangente que com o público adulto, o que é um ponto positivo", ponderou.

Sobre as lições deixadas pela pandemia no processo de alfabetização, Kátia reforçou a necessidade de trabalho conjunto da comunidade pela superação das dificuldades, e a necessidade da atenção dos profissionais de pedagogia. "A pedagogia no século XXI pede que o profissional trate o aluno como um todo, não apenas com as ferramentas da escrita, mas também com a contextualização, a sua necessidade e sua cultura", concluiu.

 

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