Prefeituras da região buscam contornar aumento de tarifa de até 100%

Concessionárias chegaram a pedir um reajuste de 100%, o que foi negado
Concessionárias chegaram a pedir um reajuste de 100%, o que foi negado - FOTO: Irineu Junior/Secop Suzano

 

Algumas das cidades mais populosas do Alto Tietê posicionaram-se contra a intenção de empresas responsáveis pelo transporte público de aumentar a tarifa de ônibus cobrada pela população, com reajustes chegando a 100% do valor cobrado atualmente.

Segundo as empresas, o aumento nas matérias-primas e nos combustíveis, e o intervalo de dois anos sem reajustes fez-se necessário retomar os debates sobre um aumento no preço cobrado aos usuários.

A Prefeitura de Suzano informou por nota que a empresa responsável pelo transporte público na cidade enviou uma proposta de aumento de 100%, aumentando a tarifa de R$4,50 para R$9 por viagem, e que rejeitou o pedido e está em negociação com a empresa.

“Todas as medidas estão sendo avaliadas”, informou a administração municipal sobre alternativas para combater o aumento excessivo, como isenção da cobrança do Imposto Sobre Serviços (ISS) ou a adoção de subsídios para a empresa. A frota global, segundo o Executivo suzanense, é de 120 veículos, com uma demanda diária de 38 mil passageiros antes da pandemia, caindo para 60% atualmente.

Em Mogi das Cruzes, onde a proposta de aumento também foi de 100%, a Secretaria Municipal de Transportes informou que as questões relativas estão sendo tratadas de forma regional, junto ao Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), e que deverá levar em conta o cenário econômico nacional, as dificuldades enfrentada pela população e a elevação de custos do sistema.

“A Secretaria Municipal de Transportes informa que mantém o acompanhamento do serviço de transporte coletivo e vem realizando intervenções pontuais sempre que detectada a necessidade. Atualmente, o sistema municipal de transporte coletivo opera com 90% de sua frota, e recebe, em média, 64% do volume de passageiros do período anterior à pandemia - o que corresponde a 91,8 mil passageiros/dia”, explicou a pasta municipal, reiterando que o sistema local conta com 82 linhas entre os bairros.

A Prefeitura de Poá informou, por meio da Secretaria Municipal de Transportes, que sua equipe técnica de Mobilidade Urbana está analisando o contrato de concessão e as solicitações de reajustes apresentadas pela empresa ao município. “Se houver qualquer que seja o reajuste da tarifa, que não ocasione maiores impactos junto aos usuários ou que possa ocasionar o desequilíbrio econômico financeiro ao contrato de concessão. Portanto, até o momento, não há definição se haverá reajustes, ou qual seria o valor”, declarou a administração municipal em nota.

Até o fechamento da matéria, a Prefeitura de Guararema declarou que não foi notificada oficialmente a respeito do tema. A municipalidade informou que a cidade opera com 18 veículos, transportando em média 3,5 mil passageiros diariamente.

A Prefeitura de Itaquaquecetuba explicou que há um expediente administrativo que está a solicitar o equilíbrio do contrato por meio de reajuste de tarifa ou subsídio da municipalidade. “O caso ainda está em análise e será levado ao Conselho Municipal de Transportes para eventual viabilidade”, declarou.

Segundo a pasta municipal responsável pelos transportes na cidade, antes da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) eram transportados em média de 55 mil passageiros/dia - após as medidas de restrição, o número caiu para até 38 mil pessoas diariamente.

 

CONDEMAT DESCARTA AUMENTO PARA R$9; EMPRESAS APONTAM "CRISE"

O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) emitiu no início da semana um posicionamento oficial sobre as solicitações de aumento da tarifa de ônibus na região, reforçando que os prefeitos se colocaram contra o aumnto proposto pelas empresas.

Segundo o Condemat, o valor cobrado pelo transporte público varia de R$ 4,20, como em Santa Isabel, chegando a R$4,50 nas cidades de Arujá e Mogi das Cruzes, por exemplo. “Os prefeietos entendem que o aumento ocorrido no preço dos combustíveis e a projeção de novas altas tem gerado um cenário insustentável para as empresas. Mas, diante das dificuldades econômicas que ainda persistem, descartam o aumento das tarifas nos índices pleiteados”, afirmou o secretário-executivo do Condemat, Adriano Leite.

Em nota à imprensa, a Radial Transporte, que atua na cidade de Suzano e em outras cidades, afirmou que o momento é de “crise no transporte público municipal no Alto Tietê”, atribuindo uma conjunção de fatores negativos e negligências com o setor.

“Para se compreender o tamanho do problema, basta listar alguns itens, como as altas constantes - quando não semanais - dos combustíveis, acelerando a crise econômica, o retorno da inflação, a ausência do apoio institucional efetivo para conter os impactos sobre as empresas de transportes.

A empresa também atribui a culpa ao impedimento de demitir funcionários durante a pandemia, apesar da queda da receita durante o período de lockdown. “Diversas exigências impostas pelo momento de calamidade pública, essas empresas totalmente desamparadas de política pré-estabelecida para não quebrar o setor, gerando gastos extras e sem previsões orçamentárias, além de enormes prejuízos em seus caixas”, apontou.

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