Editorial

Gentrificação

André Diniz
08/01/2022 às 05:30
Atualizada em 08/01/2022 às 05:30.

Quem conhece a história do samba sabe que este ritmo vive em eterna luta contra o status quo, condenado pelas autoridades políticas e eclesiásticas, sobrevivendo não apenas por seu mérito musical, mas pela resistência de seus compositores e intérpretes. Mas, no país do Carnaval, em pleno século XXI, onde todas as brigas anteriores já haviam sido superadas, o velho espectro do atraso travestido de preocupação volta a nos assombrar.

Sim, ainda estamos em uma pandemia. Sim, ainda morrem pessoas diariamente. E, sim, o governo federal ainda se mostra relutante em adotar medidas que ajudem a população de maneira efetiva. E, neste cenário de novas variantes criadas com a omissão de governos ao redor do planeta, a nossa maior festa e ponto alto do turismo - o Carnaval - não está imune aos reflexos da pandemia (trocadilhos à parte).

As recentes declarações de prefeitos e governadores de Estados onde o Carnaval tornou-se um negócio e uma política pública de cancelamento dos blocos de rua, à primeira vista, surge como uma medida de cuidado e proteção à população, evitando mais uma vez as aglomerações como polos de disseminação da variante ômicron. No entanto, sem a concretização das medidas contra bailes fechados e desfiles de escola de samba, tais declarações não soam como preocupação, mas com o infame e temido processo de gentrificação da cultura brasileira.

O vírus não irá ficar às portas dos clubes tradicionais ou nos guichês dos sambódromos. Uma pandemia não é um evento social, e não pode ser tratada com tal pelas autoridades - com meias medidas, com 'gambiarras jurídicas' e promessas de fiscalização sanitária em um país que já mostrou nos últimos dois anos, em cada evento-teste, que não existem pessoas barradas com suspeita de síndrome gripal.

O samba e o Carnaval são patrimônios imateriais do nosso país, dignos de acesso para todos, ou para ninguém em uma emergência como a pandemia da Covid-19. O Carnaval dos blocos de rua, definitiva manifestação do inconsciente coletivo, não pode ser calado em benefício de contratos de patrocínio, pela audiência dos canais de televisão ou qualquer outro tipo de justificativa.

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