Campanha 2022

Janeiro Branco alerta sobre a importância da saúde mental

Especialistas defendem que o tema esteja em evidência, principalmente com a prolongada pandemia e diferentes crises

16/01/2022 às 05:30
Atualizada em 16/01/2022 às 05:30.
Freepik/Banco de Imagens

Freepik/Banco de Imagens

Criada em 2014, em janeiro de 2022 a campanha Janeiro Branco chega à sua 9ª edição e faz um alerta: em tempos de pandemia e crises em escala global: #o mundo pede saúde mental. A iniciativa pretende colocar os temas da "Saúde Mental" em evidência na sociedade, chamando a atenção dos indivíduos, das autoridades e das instituições sociais.

Uma publicação de novembro de 2021 da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destacou o efeito da pandemia de covid-19 sobre a saúde mental e o bem-estar das populações das Américas. Publicado pela revista The Lancet Regional Health - Américas, o documento examina estudos e dados de países da região em um esforço para compreender melhor o impacto da pandemia na saúde mental da população.

Os dados do artigo da OPAS, que tem como autora principal Amy Tausch, mostraram que mais de quatro em cada 10 brasileiros tiveram problemas de ansiedade; os sintomas de depressão aumentaram cinco vezes no Peru; e a proporção de canadenses que relataram altos níveis de ansiedade quadruplicou como resultado da pandemia.

Os autores do estudo pedem uma ação imediata para fortalecer os sistemas e serviços de saúde mental na região, com atenção especial à integração do apoio psicossocial em setores e ambientes como a atenção primária à saúde, educação e serviços sociais.

Para mitigar o impacto da pandemia, os autores enfatizam que a saúde mental deve ser incorporada aos planos de preparação, resposta e recuperação para emergências.

Campanha

De acordo com Leonardo Abrahão, psicólogo, palestrante, escritor e criador do Janeiro Branco, "2020 e 2021 acrescentaram novos desafios às antigas demandas da saúde mental, mas, também, destacaram, sobremaneira, a sua importância para a humanidade". Ainda, de acordo com o psicólogo, "a boa notícia é que saúde mental tem jeito sim desde que as pessoas, as instituições e as autoridades saibam o que fazer — e façam o que tem que ser feito".

Entre as atitudes para um mundo com mais saúde mental, a campanha Janeiro Branco destaca políticas públicas para a saúde mental, prática de exercícios físicos, práticas e hobbies terapêuticos, contato com a natureza, condições sociais dignas, qualidade de vida, autonomia, vínculos sociais profundos e estar aberto à aquisição de novos conhecimentos.

Crianças e jovens

Gesika Amorim, mestre em Educação Médica, pediatra pós-graduada em Neurologia e Psiquiatria, com especialização em Tratamento Integral do Autismo, Saúde Mental e Neurodesenvolvimento, alerta para os impactos negativos que a pandemia já causou, vem causando e as consequências que ainda virão, relacionadas principalmente à saúde mental da população mais jovem.

O impacto negativo para a saúde mental das crianças e adolescentes, segundo Gesika, é também por causa da quebra de rotina, pela falta da vida social nas escolas, pela experiência do isolamento social e/ou pela perda de familiares, além da dificuldade do acesso à assistência e tratamento da saúde mental, com o fechamento e a paralisação dos serviços de saúde, restando apenas o atendimento virtual.

Segundo a especialista, crianças entre 2 a 4 anos de idade, por exemplo, perderam, praticamente, dois anos do início de suas vidas: "São crianças que não conviveram em sociedade, elas não sabem brincar com outras crianças, não conviveram em família e, em muitas situações, não aprenderam a cumprir regras e ordens. São crianças que não tiveram infância, sem acesso a nossa realidade antes da pandemia."

Um evento tão adverso em uma escala global como a pandemia de covid-19, de acordo com a pediatra, quebrou o ciclo do desenvolvimento das crianças, seja através de alterações na arquitetura cerebral, alterações imunológicas e hormonais. E com relação aos jovens e jovens adultos, é preciso levar em conta o aumento dos casos de suicídio. Gesika defende o acesso ao atendimento e ao tratamento com qualidade como prioridade para que a situação da saúde mental no país seja de fato transformada.

"Em primeiro lugar precisamos nos adaptar ao novo, à essa nova realidade que se apresentou para todos nós. E precisamos ensinar aos jovens a reconhecer as próprias emoções. Diferentes de nós, que aprendemos a enfrentar as dificuldades e a viver a nossa verdade e liberdade, as novas gerações não sabem lidar com a adversidade. Uma geração que não sofreu e, de repente, perdeu tudo o que tinha. Seu mundo deixou de ser cor de rosa. Outra coisa importante é a quebra do preconceito. Precisamos vencer as barreiras do preconceito do tratamento de saúde mental", finaliza Gesika Amorim.

Quem Somos

Fundado por Paschoal Thomeu – circulou em 22 de novembro de 1975. Em 1992, o administrador de empresas e publicitário Sidney Antonio de Moraes adquiriu a marca e relançou o jornal em 27 de outubro. O projeto foi ganhando força e, em 23 de abril de 1997, o jornal, até então preto-e-branco e veiculado apenas uma vez por semana, passou a circular colorido e bissemanalmente. Em 18 de maio do mesmo ano, a circulação foi ampliada para trissemanal e, finalmente, em 21 de junho de 1997 concretizou-se o lançamento do Mogi News diário. São inúmeras ações que, aliadas à qualidade editorial e gráfica, consagram o Mogi News como o jornal mais lido e respeitado do Alto Tietê

Entre em contato:

Reclamações ou sugestões:

redacao@portalnews.com.br

Comercial e parcerias:

contato@portalnews.com.br

© 2021 Todos Os Direitos Reservados Ao Portal News de Comunicação

Desenvolvido por

Distribuído por