Intolerância

Caso de transfobia gera ações da Apeoesp e do Fórum LGBT

Sindicato dos professores estaduais afirma que tentou ouvir profissionais da escola mas não conseguiu acesso

André Diniz
11/02/2022 às 05:30
Atualizada em 11/02/2022 às 09:29.
Divulgação

Inês Paz protocolou pedido de esclarecimento - FOTO: Divulgação

Mogi - Na manhã de ontem, membros da direção local do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e do Fórum Mogiano LGBTQIA+ visitaram a Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco, no distrito de Braz Cubas em Mogi das Cruzes, para buscar respostas com a direção da unidade escolar sobre o caso de violência contra uma aluna transgênero de 16 anos ocorrido na quarta-feira.

O grupo esteve presente na unidade com o intuito de falar com professores, coordenadores pedagógicos e a direção da escola para obter mais informações sobre as circunstâncias do caso de agressão, que ganhou repercussão nas redes sociais. Nos vídeos divulgados, a aluna teria resistido às agressões de colegas de classe, sendo agredida por vários estudantes ao mesmo tempo, sendo resgatada por funcionários do local.

A comitiva tinha como objetivo descobrir por qual motivo os alunos da escola, que passou a ser de período integral neste ano, estavam sem supervisão ou em atividade no momento do ataque; o que a direção pedagógica estava fazendo para evitar o processo de bullying pelo qual a aluna passava em sala de aula; por qual motivo a aluna foi encaminhada para transferência para outra escola após o ataque; e quais as medidas que serão adotadas para evitar que novos casos ocorram. No entanto, o grupo não teve sua entrada permitida pelos funcionários.

Em um vídeo gravado no instante, as coordenadoras da Apeoesp Inês Paz e Vânia Pereira protestaram contra o impedimento do grupo de conversar com os professores. "Estamos tentando dialogar com a direção para buscar a conscientização da diversidade e do respeito, e repudiamos os atos de ontem, bem como a falta de diálogo da escola com os representantes do sindicato", afirmou Vânia.

Inês, que também é vereadora, reforçou que é fundamental que uma escola possa ter condições adequadas para funcionamento em período integral, o que não seria o caso da escola estadual em Braz Cubas. "Já havíamos dito que a conversão de escolas regulares para o modelo integral feito pelo governo estadual não dava as devidas condições, e essa mudança aconteceu depois do prazo legal", explicou Inês.

A vice-presidente do Fórum Mogiano LGBTQIA+, Alexandra Braga, também declarou repúdio e indignação com a agressão e os procedimentos tomados posteriormente. "Eles convidaram a aluna a sair, enquanto o problema da transfobia continua ocorrendo. Por isso queremos o funcionamento do Conselho da Diversidade do município, e não vamos nos calar", apontou a representante da entidade, que está dando apoio para a vítima e sua família.

O episódio de violência foi repudiado por autoridades e políticos do município e da região. O prefeito de Santa Isabel, Dr. Carlos Chinchilla (PSL), o vereador de Mogi Iduigues Martins (PT) e os deputados estaduais Carlos Giannazi e Erica Malunguinho (PSOL) foram alguns dos que se manifestaram pelas redes sociais.

O prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha (Pode), também declarou apoio à vítima e condenou a ação dos agressores, colocando-se à disposição para acionar a Diretoria Regional de Ensino para que sejam aplicadas as medidas cabíveis. "Não compactuamos com nenhuma forma de violência, principalmente em um ambiente que deveria oferecer respeito e segurança. (....) Como prefeito e, principalmente como pai, os meus sinceros sentimentos a essa aluna. Todas as pessoas merecem respeito, dignidade e tem o direito de serem quem elas quiserem ser", declarou em nota.

Governo do Estado condena o episódio

O governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Educação, condenou por nota o episódio de transfobia ocorrido na tarde de quarta-feira na Escola Estadual Galdino Pinheiro Franco.

Na nota enviada à reportagem, a secretaria estadual afirmou que o episódio foi "pontual", e que assim que tomou conhecimento do caso, a direção da escola tomou as devidas providências. "A Ronda Escolar foi acionada para garantir a segurança dos estudantes e os familiares dos envolvidos foram chamados para a ciência dos fatos. O caso seguirá sendo apurado pela pasta, assim como pela Diretoria de Ensino e pela direção da escola para uma conclusão assertiva", informou .

O Estado informou que a equipe do programa de convivência e segurança Conviva foi acionada para dar suporte à comunidade, e o caso foi registrado no programa Placon, que monitora a rotina das escolas. "A unidade escolar também dispõe da assistência do programa Psicólogos na Educação, que poderá ser acionado para auxiliar, se for necessário", conclui a nota. (A.A.)

 

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