Cidades

A discussão apresenta dois lados

27/02/2022 às 05:30
Atualizada em 27/02/2022 às 05:30.
Mogi News/Arquivo

Pola diz que vontade de mulher deve ser respeitada - FOTO: Mogi News/Arquivo

Para Afonso Pola, sociólogo e professor, "a descriminalização do aborto em países da América Latina mostra que existe uma tendência". Segundo ele, "cerca de 59% das mulheres no mundo vivem em países cujas legislações preveem a interrupção da gravidez em circunstâncias amplas, ou seja, a livre vontade da mulher é respeitada".

Para o sociólogo é possível discutir o assunto da descriminalização do aborto segundo duas óticas, "aquela que usa valores, normalmente vinculados ao viés da religiosidade, ou usar como critério de análise a questão da saúde pública".

De acordo com Pola, no Brasil, são poucas as situações que possibilitam o uso da justiça para garantir um procedimento com a devida segurança médica. O sociólogo também comentou sobre o perfil das mulheres que terminam recorrendo ao aborto. "A maioria são realizados por meninas pobres, fora do ambiente hospitalar".

O padre Cleiton Viana da Silva, doutor em Teologia Moral pela Accademia Alfonsiana, também falou sobre a descriminalização do aborto. " É semelhante a descriminalizar-mos, por exemplo, o roubo ou o homicídio, porque o aborto também é homicídio, não é porque seja permitido juridicamente que seja eticamente aceitável".

O religioso também enfatizou que o posicionamento da Igreja Católica não é somente de ordem religiosa, mas também do ponto de vista antropológico. "Diante do feto humano, diante do embrião humano, eles não são uma parte a ser descartada", defendeu o sacerdote. "Uma entidade própria, um novo indivíduo da espécie humana, dentro de uma aparência talvez diferente de uma criança e um adulto, mas em termos biológicos você tem um novo indivíduo".

O sacerdote enfatiza que, "de maneira geral o aborto é uma coisa condenável em si mesmo, você mata uma pessoa para resolver o problema de outra", explicou. Já nos casos em que o aborto é utilizado para evitar riscos à vida da mulher o religioso defende que esses casos sejam analisados por uma equipe médica: "Até onde essa mulher vai levar essa gravidez, precisa de uma análise médica, sem colocar em risco a vida dela e do feto".

Padre Silva também enfatizou que a Igreja não tem como objetivo julgar e sim acolher e que em muitos casos a mulher não tem o amparo necessário da sociedade ou do esposo: "Há várias situações, dentro da sociedade, que muitas vezes fazem pesar sobre a mulher sozinha, uma responsabilidade que não é somente dela", explicou padre, citando o machismo e os casos de abandono da mulher grávida. (R.S.)

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