Haja Paciência

Primeiro dia de via única gera caos na Linha 11-Coral da CPTM

Embora a obra esteja ocorrendo na região de Arthur Alvim, zona lesta da capital, intervenção afeta todo o sistema

Aline Sabino
10/03/2022 às 05:30
Atualizada em 10/03/2022 às 07:51.
Everton Dertonio

Estações ficaram lotadas neste primeiro dia de funcionamento em uma via - FOTO: Everton Dertonio

Região -Não é novidade para os usuários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) enfrentarem plataformas e trens lotados diariamente. O problema se tornou ainda maior há dois dias, quando o tempo de percurso também aumentou, isso porque na última segunda, a circulação no trecho entre as estações Tatuapé e Corinthians-Itaquera, na capital, que fazem parte da Linha 11-Coral, foi restrita para via única. Isso porque, na região de Arthr Alvim, obras emergenciais estão sendo realizadas pela Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) da Prefeitura de São Paulo. Segundo a CPTM, devido às fortes chuvas que têm atingido a região da zona leste da capital paulista, foi observada uma erosão no local, que precisa ser contida para garantir a segurança dos passageiros e a manutenção da estrutura dos trens e da via.

As obras geram maiores intervalos entre os trens nos dois sentidos, um problema que atrapalhou a rotina dos usuários do sistema sob trilhos, que tiveram dificuldades para chegar ao destino na manhã de ontem. "Não tem muito o que dizer, além de revoltante. Acordo às 6 horas para pegar o ônibus e o trem, em tempos normais já é demorado, por conta da distância, mas agora, está insano de lento, não só isso, mas somos obrigados a ficar igual a uma sardinha enlatada dentro dos vagões", lamentou Lucas Augusto Silva de Souza, estudante de jornalismo, morador em Poá.

O poaense destacou que o tempo de chegada até a universidade, que fica na capital, aumentou cerca de uma hora: "Na segunda-feira eu cheguei 8h36, ontem, cheguei já era mais de 9h30. Minha aula começa às 9 horas. Felizmente estamos na primeira semana das aulas presenciais, e os professores ainda estão ajeitando a chamada, mas não sei como será se isso ocorrer daqui alguns meses".

O universitário chegou a enviar um vídeo para a redação do Mogi News para contar como foi utilizar o sistema metroferroviário. "Hoje (ontem), em vez de descer no Brás, como de costume, para pegar a Linha 3-Vermelha (do Metrô) até a Estação Bresser Mooca, preferi descer em Itaquera e fazer a transferência para o Metrô ali mesmo, pareceu ser mais rápido, mas continuou cheio. Nas imagens eu estava na área de transição entre a CPTM e o Metrô".

 

Luiza Tomizawa, estudante de Biologia e Pedagogia, que mora em Mogi das Cruzes, também teve a rotina afetada. "Foram mais de duas horas dentro de um trem absurdamente cheio, com a velocidade muito reduzida, fiquei super atrasada", disse. A enfermeira Gisele Goulart, moradora de Suzano, precisou encontrar outra alternativa para chegar ao trabalho: "Precisei ir ao hospital de carro. Com o tempo de parada maior entre as estações, não tem possibilidade de chegar no horário", afirmou.

Em meio à pandemia de coronavírus (Covid-19), Gisele reclamou também que não há distanciamento social dentro dos trens. "Com a quantidade de pessoas nos trens é um desrespeito em meio a um grande problema de contaminação que estamos vivendo. Sem contar que muitos passageiros não usam máscara", destacou.

Prefeitura de São Paulo

Em nota, a Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) da Prefeitura de São Paulo lamentou os transtornos causados aos passageiros da Linha 11-Coral da CPTM. “A obra emergencial, para recomposição da galeria de água pluvial que passa sob os trilhos, ocorre 24 horas por dia, e os funcionários se dividem em três turnos. A previsão é que a obra esteja totalmente finalizada em até 45 dias. Porém, estão sendo realizados estudos para normalização da circulação das composições no menor prazo possível, garantindo sempre a segurança dos passageiros, funcionários e estruturas".

Segundo a Prefeitura, a empresa contratada já finalizou o "tamponamento" da galeria, impedindo assim a passagem de água, e o revestimento do talude para estabilização do solo. O trabalho está concentrado agora na instalação de reforços metálicos sob os trilhos, para que assim a circulação dos trens seja normalizada.

CPTM

Já a CPTM afirmou que, desde a tarde de ontem, disponibiliza aos passageiros ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), como forma de oferecer mais uma alternativa de trajeto para a volta para a casa no horário de pico. Segundo a companhia, entre 16 e 20 horas, serão disponibilizados 36 ônibus, sendo seis no trajeto entre as estações Luz e Brás e 30 entre as estações Brás e Guaianases, com paradas em todas as estações dentro deste trecho: Tatuapé, Corinthians-Itaquera, Dom Bosco e José Bonifácio.

Para o horário das 5 às 9 horas, a operação Paese será mantida com 36 ônibus, sendo seis no trajeto entre as estações Luz e Brás e 30, saindo de Guaianases com paradas em José Bonifácio, Dom Bosco, Corinthians-Itaquera, Tatuapé e Brás.

Na estação Luz, a saída e chegada dos ônibus acontece em frente à Pinacoteca, na Praça da Luz. No Brás, o acesso é pela rua Domingos Paiva, e em Guaianases as chegadas e partidas acontecem no terminal norte de ônibus, ao lado da estação. Nos outros quatro locais, os embarques e desembarques acontecem sempre ao lado de cada estação.

A CPTM destacou também que os passageiros que forem utilizar os ônibus do Paese devem pegar uma senha antes de passar pelas catracas das estações e apresentá-la tanto na entrada no ônibus quanto na entrada da estação de destino.

 

 

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