Alteração da linguagem

Desconhecimento da afasia é desafio

Embora não haja tratamento ou cura, é possível desenvolver estratégias para melhorar a qualidade de vida

Katia Brito
24/04/2022 às 05:30
Atualizada em 25/04/2022 às 17:13.
Reprodução Instagram

O ator em seu aniversário, comemorado em 19 de março, ao lado da ex-mulher, a atriz Demi Moore - FOTO: Reprodução Instagram

A família do ator americano Bruce Willis, de 67 anos, anunciou, no mês passado, sua aposentadoria depois do diagnóstico de afasia. Na última quarta-feira, foi a vez do cartunista Angeli, 65, também abandonar a carreira por conta da doença. Segundo Marco Túlio Cintra, médico geriatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), trata-se de uma disfunção da linguagem, de origem neurológica, que causa alteração da compreensão ou da expressão das palavras, o que pode ocorrer de forma concomitante.

Entre os motivos para a afasia, Cintra cita traumatismo crânio-encefálico; traumas; acidente vascular encefálico, seja isquêmico ou hemorrágico; formas de demência como o Alzheimer que podem causar a disfunção em uma fase mais avançada; e algumas doenças neurodegenerativas que levam a uma forma precoce de alteração da linguagem.

O especialista explicou que o cérebro tem várias funções cognitivas, como memória e aprendizagem e atenção, e a linguagem é um desses domínios. A forma da doença neurodegenerativa que atinge precocemente a linguagem, de acordo com Cintra, corresponde a um subgrupo de doenças conhecidas como afasia progressiva primária.

Na afasia progressiva primária, como explica Cintra há três tipos: a forma logopênica que é uma variante da Doença de Alzheimer precoce; e outras duas variantes, manifestações da demência frontotemporal, que são a forma gramática e a forma semântica. São doenças que variam pouco na forma como se inicia, segundo o médico geriatra, e também em exames de imagem são visualizados locais diferentes de acometimento cerebral.

Os problemas apresentados pelos pacientes variam de acordo com o tipo de afasia. Segundo o médico geriatra, na forma logopênica, por exemplo, há uma alteração grave da capacidade de repetição, e na forma gramática, uma dificuldade intensa de expressar palavras, o que leva a uma fala muito laboriosa. Na forma semântica, há uma anomia grave, tornando difícil dar nome aos objetos, o que provoca uma fala alterada e de difícil compreensão.

Diagnóstico

Para um diagnóstico correto, o especialista lembra que o profissional deve ter expertise no assunto. "Geralmente quem lida com demências são os psiquiatras com formação em psiquiatra geriátrica, os neurologistas com formação em neurologia cognitiva e os geriatras que se dedicam mais ao estudo da cognição. No meu caso, eu sou geriatra e nós temos por hábitos estudar esse tipo de enfermidade até pra poder fazer o diagnóstico correto", afirma.

Embora possa estar relacionada ao Alzheimer, que atinge geralmente pessoas acima dos 70 anos, Cintra explica que o as afasias progressivas geralmente afetam indivíduos um pouco mais jovens, principalmente na faixa etária entre 40 e 70 anos.

O vice-presidente da SBGG conta que não há uma cura ou um tratamento curativo para a afasia. Por isso a importância do diagnóstico precoce. "Geralmente as pessoas com este problema ficam rondando de médico em médico por anos, em busca de um diagnóstico que não conseguem. O diagnóstico precoce vai ajudar a evitar tratamentos incorretos, e a orientar adequadamente o paciente e a família sobre como lidar com a situação", salienta.

Para o especialista, o conhecimento da doença diminui o sofrimento do paciente e familiares, que podem compreender o que se passa e o que esperar: "Isso pode ajudar essas famílias e essas pessoas que têm esse problema. Atuar precocemente, dentro do possível, pode dar uma melhor qualidade de vida para essas pessoas".

A reabilitação pode ser um caminho, embora não haja comprovação, como alerta Cintra. "Eu acredito que reabilitando esses pacientes, nós vamos ter ganhos em alguns sentidos, como maior possibilidade de interação social, o que ajuda na qualidade de vida. É possível através da reabilitação tentar estimular o que está menos afetado na cognição desse paciente", avalia.

Outro ponto, destacado por Cintra, é a criação de estratégias para manter esse paciente o mais independente possível diante do comprometimento que ele apresenta. "A reabilitação é importante para a manutenção, dentro do possível da autonomia e independência, e tentar melhorar a qualidade de vida. Mas não há tratamento curativo e a reabilitação não é capaz de reverter o quadro", salienta o médico geriatra.

 

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