Educação

Região possui 37 alunos com surdez ou deficiência parcial

Números são das redes municipais; demanda mobiliza profissionais para que estudantes não fiquem sem aulas

Everton Dertonio*
08/05/2022 às 07:00
Atualizada em 09/05/2022 às 16:55.
Divulgação

Paulo Lima: "A cada contato descubro algo novo" - FOTO: Divulgação

No último dia 24, a Lei nº. 10.436/2002, que institui a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão, completou 20 anos. Nas redes públicas municipais de ensino dos municípios de Suzano, Poá, Mogi das Cruzes, Santa Isabel, Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba, 37 alunos possuem deficiência auditiva ou surdez absoluta. Dos municípios citados, o único que não oferece cursos de Libras ou de inclusão no ambiente escolar é Poá.

A cidade com maior número de profissionais da área da educação com formação em Libras é Ferraz, com cinco professores de educação especial e quatro de ensino regular. No entanto, a rede não possui nenhum aluno com surdez absoluta, mas sim com deficiências auditivas, que podem ser reduzidas com o auxílio de aparelhos e, portanto, os pais optaram pelo não uso das Libras.

Mogi, por outro lado possui a maior quantidade de alunos com deficiência auditiva, sendo sete deles atendidos por cinco pessoas que atuam como intérpretes e oito atendidos por uma professora especialista no Departamento de Orientação e Promoção (DOP)/Pró-Escolar. Esta também orienta o trabalho realizado nas escolas.

Suzano também tem quantidade significativa no número de estudantes com deficiência auditiva na rede pública. Ao todo são 12 alunos que estudam na Escola Municipal Damasio Ferreira dos Santos, na Vila Sol Nascente, onde há um Polo de Educação Bilíngue, onde todos os funcionários e alunos têm aulas de Libras, além de pais, responsáveis e comunidade. A Secretaria de Educação de Suzano dispõe de três intérpretes e três professores de Libras.

A rede de ensino de Itaquá atende cinco estudantes surdos com três intérpretes. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, oferece o curso de Libras aos professores, pais de estudantes e demais moradores. Entre o curso básico e o intermediário, há cerca de 230 alunos.

A Educação de Poá informou que possui quatro professores intérpretes e quatro alunos com deficiência auditiva. Já a Secretaria de Educação de Santa Isabel tem dois intérpretes e três aluno com redução de audição. 

Os desafios

A professora de Libras em uma igreja evangélica de Suzano e aluna de pedagogia, pós graduação em surdocegueira e interpretação e capacitação em Libras, Alexandra Rodrigues Pereira, de 45 anos, destacou a importância do ensino de Libras. "Para os surdos, é sua língua natural, antes mesmo do português, e por ser seu meio de comunicação é importantíssimo que todos aprendam, principalmente os ouvintes, para que se comuniquem de forma natural.", apontou.

O ex-professor da rede estadual de ensino e também aluno de Libras, Humaita Henry de Oliveira, 27 anos, explicou porquê escolheu estudar a língua. "Meu primeiro contato foi durante a licenciatura em Letras, mas na época não me interessei tanto. Quando decidi cursar fonoaudiologia, a primeira coisa que veio a minha cabeça foi aprender Libras, justamente para promover que as pessoas surdas não sejam excluídas da sociedade", confessou.

Oliveira também citou a importância dos intérpretes para a integração. "É um facilitador na comunicação entre pessoas ouvintes e surdas. Na lei diz que temos que ter algum meio de comunicação com essas pessoas, infelizmente a do interprete acaba sendo a última opção por ser um meio mais caro, porque é mais barato deixar um sistema legendar automaticamente um vídeo", concluiu.

Inclusão social

O professor de Libras, Paulo Victor Martins de Lima, 36, também acredita que a tecnologia não substitui o trabalho humano e nem supre todas as necessidades. "Iniciei meus estudos com os surdos da comunidade local, lá no Rio de Janeiro, a cada dia desde então, a cada contato ainda descubro algo novo sobre eles e isso é inspirador. Ao mesmo tempo me surpreendo em saber que existem tantos esquecidos, sem ser entendidos, sem ajuda até mesmo dos próprios familiares, locais públicos sem acessibilidade, cursos superiores ensinando e formando profissionais apenas com teorias e quase nenhuma prática. Acredito que a Libras pode sim ser compartilhada com todos", finalizou.

*Texto supervisionado pelo editor.

 

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