ENTREVISTA

Sérgio Moro visita Mogi News e deixa candidaturas em aberto

Ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Operação Lava-Jato visitou o Alto Tietê em série de encontros com setores

André Diniz
14/05/2022 às 07:00
Atualizada em 14/05/2022 às 08:32.
Fotos: Felipe Claro

Ex-juiz ainda não se decidiu se irá se candidatar nas eleições deste ano - FOTO: Fotos: Felipe Claro

O ex-ministro da Justiça e ex-juiz federal, Sérgio Moro, visitou na manhã de ontem a redação do Grupo MogiNews/DAT, no centro de Mogi das Cruzes. Moro tratou de temas ligados à Saúde Pública, Educação, além da disputa eleitoral.

Moro esteve acompanhado do pré-candidato a deputado estadual Luiz Carlos Gondim (UB) e do deputado federal Nicolino Bozzella Junior (UB), o Junior Bozzella. A entrevista foi conduzida pelas equipes de Mídias Sociais e da versão Impressa do MogiNews/DAT.

Em sua saudação inicial, Gondim reforçou a importância de Moro como liderança política, onde foi convidado para tratar de temas de interesse público. O ex-ministro agradeceu pela oportunidade e falou de encontros com lideranças no Alto Tietê.

Fábio Miranda, editor-chefe do MN/DAT: O senhor já tem uma definição do cargo que vai disputar nas eleições?

Sergio Moro: Eu fiz este movimento de saída do (partido) Podemos para o União Brasil (UB), com o objetivo de romper a polarização política. O Podemos tem seus méritos, mas estava isolado no debate político. Fiz este movimento, e agora há necessidade de se construir dentro do partido. Há várias possibilidades para ação, neste momento estamos focando nossas visitas em São Paulo, e que pode ter um projeto regional. O Luciano Bivar (presidente do UB) é pré-candidato a presidente, ele se coloca contra Lula e Bolsonaro e repudia a polarização. Temos visto uma dificuldade dos outros partidos em definir seus nomes. Não é um jogo de cena, ele tem um histórico de rompimento com Bolsonaro e a pauta do União Brasil não converge com as visões de mundo e economia de Lula.

FM: Como pretende trazer essa discussão para a política sobre essa polarização, como vai ser a construção do debate:

SM: Voltei ao Brasil para levantar essas bandeiras, vou levantar independentemente de quem coloque este debate neste ano. Alguém tem que continuar a falar sobre isso, mesmo sendo uma voz no deserto - mas muitos estão interessados neste debate de melhorar o país. Pode ser para o Senado, para outro cargo. Vamos discutir estes temas.

FM: Com Luciano Bivar como possível candidato a presidente, você pode entrar como vice na chapa?

SM: Há muitas pessoas dentro do partido com o potencial para entrar como vice-presidente, e temos vários fatores a serem levados em consideração. Temos que considerar também o papel da mulher na política: uma candidata a vice mulher também é interessante.

Everton Dertonio, repórter: No âmbito das questões reais, o Alto Tietê tem um potencial logístico, mas sente muito as questões para saúde, educação e segurança pública. Quais são os projetos para a região?

SM: Quando fui ministro da Justiça, tivemos uma redução expressiva dos índices de criminalidade. Aprendemos que, na gestão pública, não há milagres ou mágica - isso vale para a Saúde, para a Educação, para a Segurança Pública. Precisa ter planejamento, dedicação e esforço. Na infraestrutura, na Saúde e na Educação é a mesma coisa: descer aos detalhes, fazer o planejamento e ver o que precisa ser corrigido. Sabemos que a região tem uma vocação forte para a agricultura, e questões relacionadas à logística e distribuição são importantes para o município e para o Alto Tietê como um todo.

Raissa Sandara, repórter: Sobre o custeio das unidades de Santa Casa de Misericórdia nas cidades, como isso pode ser tratado para continuar o atendimento do ponto de vista da gestão pública?

SM: O funcionamento depende de uma gestão eficiente. Precisamos ter a revisão dos repasses do SUS (Sistema Único de Saúde), onde a tabela de serviços não é reajustada há uma década, além de alternativas de financiamento para dar flexibilidade de recursos. Outros hospitais também acumulam serviços de planos de saúde, como em Ribeirão Preto que atendem concomitantemente. Temos que dar prioridade ao SUS, ou não teremos vagas. É uma questão complexa que tem um misto de soluções.

Ingrid Leone, repórter: O que temos para esperar para a Saúde no período pós-pandemia em termos de investimento e políticas públicas?

SM: A pandemia foi uma tragédia humanitária, com mais de 600 mil mortes, mas tabus foram vencidos - um deles foi da telemedicina, em que políticos e médicos não tinham muita crença, e isso ajuda a oferecer um serviço mais rápido e barato. Precisamos digitalizar a saúde, onde o SUS chegou a criar um programa, mas faltam dados. Queremos resolver a vida na palma da mão, e temos que achar essa oportunidade para diminuir os custos com a saúde no atendimento secundário e terciário, focando no atendimento primário. É uma solução complexa, que depende de gestão no Ministério da Saúde, e nas secretarias estaduais.

Aline Sabino, editora: O senhor pretende buscar aliados e apoios com outros parlamentares do Alto Tietê?

SM: Isso faz parte do trabalho. Temos que discutir temas de interesse geral, mas também atender às necessidades das regiões. Estamos circulando, conhecendo e ouvindo a população, este é um passo importante. Estamos aqui no Alto Tietê com o Júnior Bozzella e com o Dr. Gondim para saber das necessidades da região.

André Diniz, repórter: Para a disputa eleitoral em âmbito nacional, seu nome foi apresentado como uma alternativa no campo conservador ao presidente Bolsonaro. Após a migração ao União Brasil, parte deste apoio acabou oscilando. Como o senhor pretende trabalhar para recuperar este terreno no eleitorado de direita? Como trata desta composição de votos em São Paulo?

SM: As bandeiras que defendemos continuam as mesmas: da economia liberal sem prejuízo à atenção social, da ética e integridade no exercício da política; podemos levantar onde estivermos. Na corrida presidencial, me afastei neste momento, e temos hoje a pré-candidatura de Luciano Bivar, e todo o partido está trabalhando em prol desta candidatura. Vamos ver como o cenário se desdobra. Creio que a polarização gera uma divisão entre as pessoas, que brigam por política.

Junior Bozzella: Não vale a pena brigar por uma figura pública, independentemente de quem seja - temos que brigar por propósitos. Temos qualificado nossos quadros, o presidente Bivar tem equilibrado este processo em esfera nacional ,e temos convicção que ao trazer pessoas boas teremos resultados positivos. Temos que respeitar o momento para usar o maior ativo político e reserva moral da sociedade, da melhor forma possível, para servir à população - essa é nossa responsabilidade.

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