Palmeiras e São Paulo fazem a primeira partida da decisão

Hernán Crespo tem o desafio de tirar o São Paulo de uma fila de nove anos
Hernán Crespo tem o desafio de tirar o São Paulo de uma fila de nove anos - FOTO: Divulgação

O português Abel Ferreira, do Palmeiras, e o argentino Hernán Crespo, do São Paulo, iniciam hoje, às 22 horas, a decisão do Campeonato Paulista, no Allianz Parque. Neste duelo, a nacionalidade dos técnicos precisa de destaque. Esta é a primeira final da história do torneio estadual entre treinadores estrangeiros. O troféu tem peso diferente para os dois treinadores: o são-paulino carrega o jejum de nove anos; o palmeirense já levantou duas taças recentes em poucos meses de trabalho.

Por ter feito a melhor campanha, o São Paulo terá a vantagem de fazer o segundo confronto em casa, no Morumbi, no domingo, às 16 horas. Em caso de igualdade nas duas partidas, o título será decidido nas penalidades.

Esse duelo vai encerrar um longo tabu no Paulistão. Desde 1975, nenhum técnico estrangeiro levantou a taça no estadual mais importante do país. Já são 46 anos. Na ocasião, o argentino José Poy, lendário comandante tricolor, derrotou a Portuguesa, nos pênaltis. De lá para cá, não tem sido fácil para um estrangeiro sequer chegar ao pódio. Isso só aconteceu duas vezes, ambas com o São Paulo. A primeira foi com o mesmo José Poy, vice em 1982. A segunda foi com Dario Pereyra, em 1997.

Esses dados vão além das curiosidades históricas. Crespo e Abel reafirmam o aquecimento do mercado brasileiro para professores de outras nacionalidades. Foram valorizados sobretudo depois das conquistas de Jorge Jesus no Flamengo e dos novos conceitos de Jorge Sampaoli com o Santos. Só na temporada passada, dez comandantes estrangeiros trabalharam em clubes da primeira divisão. É um recorde desde 2001.

No Paulistão, Crespo e Abel personificam as estratégias dos clubes que dirigem. O são-paulino administra o peso emocional de um jejum de nove anos sem títulos. Nesse contexto, o troféu estadual é sinônimo de respaldo e tranquilidade para o restante da temporada para ele próprio e para a diretoria. Essa obsessão orientou o planejamento da comissão técnica, principalmente nas fases mais agudas do Paulistão. Com o aval dos diretores, o argentino poupou os titulares nos dois últimos jogos da Libertadores. Tudo para que o time principal estivesse focado e descansado na ida da decisão.

Abel Ferreira adotou estratégia oposta. Depois que a Federação Paulista negou o pedido de adiamento do jogo com o Corinthians, ainda na fase de classificação, o Palmeiras passou a escalar um time B. Às vezes, até o C no torneio. A prioridade se tornou a Libertadores. Nas fases finais, a escalação reserva passou a ser mais encorpada. Nas quartas de final diante do Bragantino, jogaram vários titulares. Diante do Corinthians, na semifinal, a escalação foi a principal.

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