Tradição popular

Grupos de congada valorizam vivências dos velhos mestres

Nas tradições populares, pessoas idosas são símbolos da experiência e conhecimento para os mais jovens

Katia Brito
27/02/2022 às 05:30
Atualizada em 27/02/2022 às 05:30.
 Danilo Duvilierz/Divulgação

Congadas em Mogi começaram nos anos 1950, influenciados por outros dançantes - FOTO: Danilo Duvilierz/Divulgação

As tradições populares são marcadas pelo reconhecimento e valorização das pessoas idosas, responsáveis por transmitir sua cultura de geração em geração. Exemplo disso são os grupos de congada de Mogi das Cruzes, como conta o músico e produtor cultural, Déo Miranda: "É uma característica comum por serem grupos familiares. Quando a pessoa entra no universo, já entra pelos pais e avós. A idade determina a experiência".

Quem nasce na tradição das congadas, chamados de dançantes em São Paulo, e brincantes na região Nordeste, tem os mais velhos como mentores, de acordo com Miranda, e vão aprendendo a questão devocional, danças e toques. Os mais experientes, segundo ele, decidem que enquanto puderem vão participar do grupo, como algo vitalício.

Não é raro ver pessoas idosas nos grupos que, Déo explica são chamados de mestres por estarem há muito tempo e ter mais conhecimento do que os mais jovens. "Geralmente são eles que vão ensinando os mais jovens como conduzir e ter no coração e na alma esse entendimento que é responsável pela tradição", e assim os grupos vão tendo continuidade.

Um exemplo de renovação citado por Miranda ocorreu na Congada de Santa Efigênia, que hoje concentra pessoas mais jovens. Com o falecimento precoce de José Batista Afonso, o capitão Zé Baiano, sua filha Gislaine Donizete Afonso assumiu o grupo aos 18 anos e conseguiu mantê-lo com outros dançantes de sua geração, e lá se vão mais de 20 anos.

Nos últimos seis anos, o produtor cultural conta que muitos dos mestres faleceram, mas ainda há muitos integrantes com idade média de 70 anos. Muitas congadas estão sem sua segunda geração, mantidas por filhos mais velhos, netos e bisnetos dos fundadores.

Casa do Congado

Déo Miranda também é presidente e fundador da Casa do Congado, criado em 2009, juntando outros dançantes da cidade, reunindo na época integrante da primeira geração de congadeiros, que ajudaram a compor a casa. O local não tem sede física, mas mantém o portal Memória Digital do Congado de São Paulo com arquivos audiovisuais, fotos, depoimentos jornalísticos, entre outros destaques.

O Reinado de Congos de Mogi das Cruzes, segundo relato disponível no site, é um aglomerado de grupos de Congada, Marujada e Moçambique, formado por volta dos anos 1950, influenciado por dançantes congadeiros vindos de Minas Gerais e de cidades do Vale do Paraíba. Em Mogi, a congada está inserida nos festejos do Divino Espírito Santo.

Na forma de cortejo, os grupos apresentam seus cantos e danças ao som de instrumentos de percussão, e levam bandeiras que estampam o santo padroeiro. Entre os integrantes rainhas, reis congos, capitão, dançantes, tocadores, dirigidos por um mestre, por um maestro da oralidade.


Sesc Mogi

Ontem teve início no Sesc Mogi das Cruzes a programação especial "Compartilhando Saberes - Congadas de Mogi das Cruzes", com vivências reunindo a Congada Santa Efigiênia, Congada do Divino Espírito Santo, Congada Batalhão de Nossa Senhora Aparecida e Congada de São Benedito do Santo Ângelo.

A ideia, segundo Miranda, é que os congadeiros transmitam suas tradições para os participantes, compartilhando o que fazem nos grupos. Ontem foi realizada a oficina de customização de adereços, com quepes de marinheiros. Os itens são enfeitados ao gosto de cada dançante, com fitas, lantejoulas e referências ao seu santo de devoção.

Hoje são duas vivências, a primeira sobre a customização de instrumentos, das 10h ao meio-dia, com a participação do mestre José Paulino, com mais de 80 anos, um representante da primeira geração de congadeiros dos anos 1950. "Ele vai levar instrumentos que fazia na madeira, mais rústicos, e outros dois congadeiros vão levar como customizam hoje", explica Miranda.

Das 14 às 16 horas, destaque para as danças tradicionais, com um grupo de quatro dançantes mostrando os passos da congada. As atividades continuam na terça, dia 1 de março, também das 14 às 16 horas, com percussão e toques tradicionais.

Para todas as atividades é necessária a apresentação da carteira de vacinação contra a Covid-19, e é obrigatório o uso de máscara na unidade. O Sesc Mogi fica na rua Rogerio Tácola, 118, Socorro.

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