Prevenção

Quedas impactam a mobilidade, a saúde e a autonomia de idosos

Especialista alerta que a queda em pessoas idosas não é normal, e possíveis causas precisam ser investigadas

Katia Brito
20/03/2022 às 05:30
Atualizada em 20/03/2022 às 05:30.
Arquivo Pessoal

Albert, marido de Sandra, se apaixonou por Mel - FOTO: Arquivo Pessoal

A fratura do colo do fêmur é a mais comum entre as pessoas idosas que sofrem quedas, como ocorreu recentemente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 90 anos, que precisou passar por uma cirurgia e se recupera em São Paulo. De acordo com o fisioterapeuta Hudson Azevedo Pinheiro, que é secretário adjunto da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Distrito Federal (SBGG-DF), este agravo aumenta o risco de hospitalização e de morbidade, perda de independência e até mesmo morte em idosos, principalmente os mais longevos.

O especialista explica que quedas são mais comuns em pessoas idosas em decorrência das alterações que podem acontecer, geralmente, associadas ao processo de envelhecimento, como, por exemplo, a diminuição de reflexos posturais, da acuidade visual e da força muscular. "Muitas vezes associado ao desengajar das tarefas sociais como aposentadoria, a diminuição do nível de atividades e isso tudo compromete para que a queda possa acontecer", avalia.

Entre os fatores associados ao risco de queda, Pinheiro destaca a questão medicamentosa. A diminuição sensorial, de acordo com ele, quer seja por alterações no tato ou na visão, pode estar vinculada ao uso inapropriado de alguma medicação, como os psicotrópicos, que devem ser utilizados com parcimônia.

As questões ambientais também precisam ser levadas em conta, segundo o fisioterapeuta, como o tipo adequado de calçado e de piso, e a indicação ou não de algum dispositivo como bengala e andador. "É importante deixar bem claro que cair nunca normal. Então se um idoso vem apresentando episódios de queda, vale a pena buscar um especialista", orienta.

No caso de tratamento cirúrgico, por exemplo, Pinheiro explica que o período de imobilização na recuperação, pode culminar na perda mais acentuada de massa de força muscular. Também há reflexos em questões cognitivas e emocionais, como o medo de uma nova queda, que afeta a autonomia, a qualidade de vida e a independência.

O secretário adjunto da SBGG-DF relata que há subnotificação, partindo do pressuposto que cair é normal ou uma coisa boba. "É importante estar documentando e verificando. É considerado um caidor recorrente aquele que apresenta mais de duas quedas em um ano. Então até a primeira queda acontecer, muitas vezes, o risco de um novo episódio é baixo. A partir da segunda queda num período de um ano, a chance desse evento ser recorrente acaba aumentando".

Dispositivos

Embora sejam vistos com preconceito, o fisioterapeuta ressalta que dispositivos, como bengala e andadores, que auxiliam a marcha, devolvem o direito constitucional de ir e vir às pessoas idosas. A orientação é usar segundo a prescrição, com o objetivo melhorar a percepção e o tato.

"O problema é que, muitas vezes, é prescrito por um profissional de saúde, mas em nenhum momento é dada a oportunidade para o que chamamos de um 'teste drive' com o dispositivo. Na minha prática clínica, além de prescrever, eu treino esse dispositivo. Como ele vai fazer para andar em diferentes tipos de terreno, quer seja domiciliar ou mesmo comunitário, o acesso a uma escada, uma rampa. Isso consegue promover com mais segurança e confiança o uso", salienta.

A cantora Fafá de Belém, técnica do programa The Voice (Globo), voltado para talentos 60 , apareceu na atração com uma bengala e chamou a atenção. Ela passou por uma intervenção cirúrgica em janeiro, e se manifestou pelas redes sociais: "Uma pessoa idosa usando bengala se torna, aos olhos da sociedade, alguém limitado, lento, dependente. E o objetivo da bengala é justamente o oposto! É nos proporcionar segurança, movimento!".

O fisioterapeuta afirma que há impacto também nos cuidadores familiares, que acabam servindo de apoio no lugar dos dispositivos, o que pode levar a problemas de coluna e nos ombros.

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