Bem-estar

Animais de estimação contribuem para saúde e bem-estar de idosos

Estudo aponta que ter um animal, por cinco anos ou mais, pode contribuir para um declínio cognitivo mais lento

Katia Brito
03/04/2022 às 05:30
Atualizada em 04/06/2022 às 13:13.
Divulgação

Os jornalistas Boris Casoy e Lillian Witte Fibe são os instrutores da iniciativa - FOTO: Divulgação

Animais de estimação são mais que uma boa companhia para pessoas idosas. Um estudo preliminar, divulgado em fevereiro, aponta que possuir um animal, como cachorro ou gato, especialmente por cinco anos ou mais, pode contribuir para um declínio cognitivo mais lento. A autora do estudo é Tiffany Braley, do Centro Médico da Universidade de Michigan em Ann Arbor e membro da Academia Americana de Neurologia.

Entre os 1.369 idosos analisados, com idade média de 65 anos e habilidades cognitivas normais, 53% possuía animais de estimação e 32% eram donos de animais de longa data, ou seja, por cinco anos ou mais. Os pesquisadores usaram dados do Health and Retirement Study, estudo de beneficiários do Medicare, e por meio das pontuações cognitivas alcançadas pelos participantes em testes, estimaram as associações entre os anos de posse de animais de estimação e a função cognitiva.

Os participantes foram avaliados ao longo de seis anos, e os donos de animais de estimação de longo prazo, em média, tinham uma pontuação composta cognitiva 1,2 pontos maior em relação às pessoas que não tinham animais de estimação. Os benefícios cognitivos associados à animais de estimação por mais tempo foram mais significativos para adultos negros, adultos com educação universitária e homens.

Amor e dedicação

Um exemplo de que a pesquisadora está no caminho certo é o aposentado João D. Oliveira Vaz, de 85 anos. Nascido em Porangaba, no interior de São Paulo, desde 1972 ele está em Mogi das Cruzes, e sempre teve animais de estimação. Já cuidou de pássaros, tartarugas, gatos, cachorros e papagaios.

"Sem dúvida o amor dedicado aos animais sempre fiz de tal forma que havia empatia no mais alto teor. Era a alegria da casa. Recomendo a adoção de animais, principalmente os sofredores e abandonados. Esta atitude faz bem ao coração e vale para todas as idades", recomendou o aposentado.

Nos últimos anos, João tinha dois cachorros. Um deles, que ganhou o nome de Veludo, foi adotado de uma família que se mudou para o Maranhão. "Ele tinha cerca de três anos. Veio para minha casa e fez companhia ao outro cão de nome Fred. Viveram juntos por seis anos. Eram chamados de dupla 'Fred Branco e Veludo Preto", contou.

Infelizmente, o trio, formado por João e seus cães, se separou em 2014 com a morte de Fred, e em outubro do ano passado, Veludo fugiu e não foi encontrado.

Companhia

A professora aposentada Sandra Garcia Barakat, 78, sempre teve cachorros mas não tinha tido contato com a velhice dos animais. Nascida no Guarujá, ela mora em Mogi há 40 anos. Hoje, com a poodle Mel, que tem há 13 anos, ela vive essa experiência. A cachorra foi comprada em 2009 com quatro meses. O marido Albert que era alheio, também foi conquistado por Mel. "Sempre tive muito carinho. Gosto muito de animais e recomendo, são muito carinhosos", destacou.

Mel, que sempre foi muito dócil, segundo Sandra, hoje é quem demanda mais cuidados e precisou de adaptações no ambiente doméstico. Diagnosticada com catarata, a cachorra está cega e faz tratamento para pancreatite crônica. "Como eu não tive filhos, é uma companhia, e fui me adaptando, onde eu vou, ela vai. Hoje ela depende mais de mim", contou.

Família

Mistura de pequinês com poodle, a cachorra Suzi completa em maio 11 anos, ao lado de Dirce de Araújo Dertônio, 72, que se aposentou há cinco anos. O animal foi presente de uma amiga para combater a tristeza causada pela perda de um outro cachorro e conquistou toda a família. "Ela entende tudo, sabe quando estou triste, chateada, doente", contou. No último ano, Suzi vem perdendo a visão.

Quando o marido adoeceu, Dirce contou que Suzi não saia de perto dele. Com a morte dele há oito anos, a cachorra se tornou sua companheira. "Ela é bem dócil. Com certeza, os animais são uma companhia para quem é sozinho", destacou ela, que sempre teve cachorros.

 

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