Saúde pública

Taxa de suicídio aumenta 43% em 10 anos

Somente neste ano, 275.087 pessoas tiraram a própria vida; especialista comentam como a fé pode auxiliar

Aline Sabino
04/04/2022 às 15:29
Atualizada em 04/04/2022 às 15:29.
Divulgação

Psicóloga Rosana Silva - FOTO: Divulgação

A cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida e um número ainda maior de indivíduos tenta suicídio de acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). Cada suicídio impacta famílias, comunidades e países inteiros. Nos últimos 10 anos, o Brasil registrou aumento de 43% no número de suicídios. É o que revela o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, no ano passado. Somente neste ano, 275.087 pessoas tiraram a própria vida.

A Polícia Militar (PM) de Itaquaquecetuba foi acionada no final de semana passado para atendimento de uma tentativa de suicídio. Um jovem teria atravessado a grade de proteção de uma ponte da linha férrea e estava prestes a cometer suicídio próximo à avenida Emancipação. Os policiais conseguiram convencer que o homem retornasse para a área de segurança, e ele foi encaminhado para um hospital.

O suicídio é a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, segundo a psicóloga Rosana Silva. Ela explicou que se trata de um fenômeno muito complexo e multicausal que traz um grande impacto tanto na vida do suicida quanto no coletivo. “O suicídio afeta indivíduos de diferentes origens, sexo, cultura, classe social e idade. Os fatores sociais também implicam no acometimento do suicídio, no publico jovem o bullying e a falta de rede de apoio social, quando deficitária, também pode conduzir para o suicídio. Nos adultos, o desemprego, por exemplo, passa pela questão econômica e política do indivíduo e também pode ser um fator determinante”, disse.

Segundo a psicóloga, que tem mais de 10 anos de experiência na área, o fenômeno do suicídio é cultural passando por problemas psicológicos, psicopatológicos e também biológicos. “Embora a complexidade do suicídio pode ser prevenida, com intervenções tanto individuais quanto coletivas ainda há muita dificuldade para colocar isso em prática. Para uma efetiva prevenção, as respostas nacionais necessitam de uma ampla estratégia multissetorial”, destacou.

Rosana destacou que é de suma importância cuidar da saúde metal. “É possível observar o aumento do quadro de muitos transtornos mentais, mas ainda subnotificado. Existem muitas pessoas que não relatam os problemas para terceiros achando que conseguem dar conta por ser uma questão individual”. A especialista relatou que a saúde mental ainda é um tabu para muitos e que existe uma dificuldade muito grande das pessoas reconhecerem que passam por um problema e precisam procurar por ajuda.

Na questão religiosa, segundo a especialista, a pessoa pensa ser algo espiritual ou o resultado da falta de atitude de fé, e por conta desses pré-conceitos e da má informação, acaba não tendo o cuidado adequado. A psicóloga ressaltou ainda que “nós seres humanos somos biopsicossociais, culturais e espirituais e dentro dessa complexidade é importante que a gente consiga dividir e entender o cuidado em cada instância”.

A depressão ou qualquer tipo de doença mental, de acordo com Rosana, não está relacionada com a fé, mas ela é muito importante e pode auxiliar no fortalecimento para enfrentar a doença que causa um sofrimento imenso na vida das pessoas. “É preciso tirar os rótulos e estigmas que estão em volta dessa falta de compreensão sobre esses transtornos. É preciso ampliar o nosso olhar e falar sobre esse tema, principalmente dentro das igrejas. Existem pesquisas cientificas sobre a importância da fé no tratamento de doenças, mas a ajuda profissional é de grande relevância para identificar o quanto antes o problema”, concluiu.

Para quem precisa de ajuda, há o Centro de Valorização da Vida (CVV), um serviço gratuito, realizado por voluntários que oferecem apoio emocional e trabalham na prevenção do suicídio. O CVV não substitui o atendimento psiquiátrico ou psicológico, mas visa oferecer um espaço no qual a pessoa se sinta segura para conversar sobre qualquer assunto de maneira sigilosa, sem críticas ou aconselhamento. Mais informações podem ser obtidas por meio do site https://www.cvv.org.br/, por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. 

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