Aperta e solta

O Plano São Paulo de Retomada Consciente do governo do Estado tem desempenhado um indesejado papel de gangorra diante das oscilações nos dados sobre a pandemia do coronavírus. Ora lá, ora cá, o Centro de Contingência do coronavírus, por meio de seu porta-voz João Doria (PSDB), prende e solta a classificação de fases do programa. Da amarela para a laranja e da laranja para a vermelha - e vice-versa - as etapas vão evoluindo ou retrocedendo, de acordo com a justificativa do Estado, por conta da ocupação de leitos para Covid-19 nos hospitais.

Na quarta-feira, Doria anunciou o relaxamento das regras e voltou boa parte dos municípios de São Paulo para a fase laranja nos finais de semana e feriados. Há dez dias, a situação era mais crítica e todos entraram na etapa vermelha. Agora, segundo o governo, houve uma melhora no quadro e foi possível liberar o comércio em geral para funcionar nestes dias. Mesmo com o sobe e desce do Plano, arrazoado e fundamentado, as constantes mudanças geram uma insegurança nos lojistas e clientes.

Sem um planejamento mais efetivo, fica difícil estabelecer uma programação de aquisição de produtos básicos. Bares, lanchonetes e restaurantes, por exemplo, trabalham com insumos perecíveis que devem ser comprados antecipadamente e bem acondicionados para aumentar a sua vida útil. Por outro lado, deixar para comprar de última hora, de acordo com a demanda, pode elevar os preços e gerar despesas extras, o que não é conveniente neste período. Para se planejar, os comerciantes precisam de algumas informações mais precisas e duradouras. Isso não está ocorrendo com o balanço do Plano SP.

Uma nova reclassificação de fases do programa está programada para a próxima semana. Até lá, os estabelecimentos estão autorizados a funcionar também aos finais de semana e feriados, com as restrições regulamentares. O que vem pela frente vai depender das taxas de ocupação de leitos Covid e, principalmente, dos ânimos do governo estadual e das pressões exercidas pelos grupos prejudicados pela quarentena. Mais uma vez, comerciantes e seus representantes de classe terão de suportar dias de expectativa.