E o comércio com isso?

As seguidas trocas de fases do Plano São Paulo de Retomada Econômica vêm sendo criticadas por algumas autoridades e comerciantes. A partir de hoje, seis regiões do Estado de São Paulo, incluindo Mogi das Cruzes e região do Alto Tietê, foram promovidas à fase amarela, que permite o funcionamento de restaurantes até às 22 horas.

Desde as pressões dos setores comerciais, a gestão João Doria (PSDB) já havia suspendido o decreto que deixava todo Estado na fase vermelha. Agora, no entanto, shoppings, restaurantes e comércios voltam a ter permissão de funcionar aos finais de semana e feriados

O que fica claro, cada vez mais, é que as decisões de mudanças de fases têm como fonte principal a política, haja vista que o fechamento do comércio não alterou as estatísticas da pandemia, que seguem praticamente iguais em relação a semana passada.

A decisão rápida de flexibilizar as atividades novamente era óbvia e questão de pouco tempo. Esse setor da economia não se sustenta parado, precisa de movimento para não fechar as portas de vez, ainda mais durante os finais de semana e feriados, períodos em que se concentram suas principais fontes de receita. É claro que as medidas sanitárias precisam permanecer rígidas e as negligências devem ser combatidas. Comerciantes que descumprirem a lei devem ser autuados e severamente multados. O período da pandemia ainda é crítico e a colaboração deve ocorrer de todos os lados, o que não implica, necessariamente, no fechamento do serviço.

E, de fato, não é isso que observamos. Desde que a Covid-19 começou a atormentar o mundo, no primeiro semestre do ano passado, ainda há milhares de negacionistas - de jovens a aposentados - que não seguem e nunca seguiram qualquer tipo de restrição. Enquanto boa parte da população se desdobra para evitar o contágio do vírus, há cidadãos que em nenhum momento saíram da zona de conforto. O grau de contaminação é alto - dez pessoas contaminam 25 - e isso desestabiliza toda a cadeia.

O comércio deve ser monitorado, mas não basta. A culpa é da população e da fraquíssima fiscalização de uma forma geral.