Exercício de consciência

Achegada da vacina contra a Covid-19 vem sendo muito comemorada pela população. Mas, sem imunizantes de sobra, a prioridade para a vacina deveria ser mais criteriosa. Entre um trabalhador que necessita utilizar o transporte público todos os dias e um veterinário que trabalha em uma fazenda, ou até mesmo um médico que não tem atuação direta com o coronavírus, quem deveria ser imunizado antes? Faltou um critério mais rigoroso.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que quem está na linha de frente da Covid-19 corre um risco cinco vezes maior de contrair a doença todos os dias. Ou seja, há pessoas mais expostas do que, por exemplo, professores de universidades médicas que permaneceram em casa durante todo esse tempo, ou daqueles que fazem uso do tele-atendimento, ou de quem abre a porta do consultório para atender pacientes sem febre nem qualquer outro sintoma de infecção. Aí faltou a determinação de subgrupos para a imunização. Essa situação torna o cenário, no mínimo, constrangedor. Prova disso são os médicos convidados a tomar a vacina, mas que, por entender que não estão na linha de frente, cederam sua vez a quem mais precisa. Trata-se de um exercício de consciência. Vale lembrar que essa regra se encaixa em plano de vacinação de qualquer outra doença, então, por que com a Covid-19 há de ser diferente?

A idade também não deveria ser o único critério primordial para a vacinação. Quem apresenta comorbidades poderia fazer parte desse privilégio, como aqueles que enfrentam obesidade, diabetes, câncer, hipertensão e algumas outras doenças crônicas.

Além disso, não são apenas médicos e enfermeiros que circulam entre os pacientes internados com Covid-19. Há motoristas da ambulância, socorristas, profissionais de tecnologia envolvidos na manutenção dos equipamentos médicos, encarregados da higienização das UTIs, nutricionistas, fisioterapeutas, técnicos de radiologia, profissionais das Unidades de Pronto Atendimento (UPA)... A lista é longa.