A vez do vírus

Escolas sem estrutura, salas fechadas, falha na fiscalização de alunos e, consequentemente, risco de contaminação do coronavírus. É este o cenário analisado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em relação ao retorno presencial das aulas nas escolas estaduais nesta semana. "Negligência do Estado", afirma o grupo. Por isso, o sindicato mantém a greve dos professores e busca maior adesão dos profissionais da Educação.

O temor de contágio é grande, principalmente porque professores e demais trabalhadores do setor educacional não estão no grupo prioritário no plano de vacinação. Conforme publicado no editorial de ontem, neste jornal, há muitos profissionais da Saúde que não precisariam estar no grupo prioritário, pois não estão na linha de frente do combate à pandemia. Outros trabalhadores, entre eles, os da Educação, deveriam tomar a vacina rapidamente, uma vez que o Estado determinou a volta às escolas.

A Justiça derrubou a liminar que impedia a suspensão do retorno de aulas presenciais na rede estadual. A Apeoesp deve entrar com novo recurso. Se o grupo prioritário da vacinação neste momento é o idoso, fica clara a medida contraditória, uma vez que este grupo tem contato com crianças e adolescentes que aderiram às aulas presenciais. As aulas voltaram com a capacidade de 35% dos alunos em salas de aula, ou seja, cada aluno vai à escola uma, no máximo duas vezes por semana. Até onde vale esse risco?

Sabemos que não há vacina para todos no momento. Sendo assim, não é possível encaixar os profissionais da Educação no grupo prioritário. Compreensível, até certo ponto, porém, neste caso, o retorno das aulas presenciais deveria ser automaticamente descartado.

A chegada da vacina é fundamental, mas há equívocos primários. Exemplo disso é a segunda dose aos profissionais da Saúde, ontem, com grandes filas. Aglomeração para tomar vacina contra a Covid-19 não faz sentido. Segundo o governo, não contava que os profissionais da Saúde buscariam a imunização ao mesmo tempo. Não houve agendamento. É piada? Pior que não.