Ah, vacina

Raul Rodrigues
Raul Rodrigues - FOTO: Daniel Carvalho

Vacina: desculpe a intimidade! Mais uma vez acordo pensando em você. Vacinina: há visões, sons e sabores incontáveis, variedades de terras distantes, esquisitices e curiosidades que podem mudar a atenção da mente, desequilibrando o espírito vital e perturbando a circulação e a energia na dependência de você para reinar!

Eu e você sabemos quem está por trás desse atraso: os que amam a morte se instalaram em certos centros de decisão do país. Pena maior para você, que ama a vida. Sem citar essa campanha criminosa para desqualifica-la, já que pretendem transformar a vida em um problema econômico, Santo Deus!

Cara amiga Vacina: até tapete vermelho coloquei na porta para recebe-la. Mesmo sem conhece-la pessoalmente (Cruz Credo!) acompanhei à distância você ganhar o mundo e lamento morar num país que ainda não se convenceu de que deve recebe-la, sob unanimidade, se possível! E sem a mínima intenção de ser egoísta a ponto de querer sua companhia, só para mim.

Quero que você se sinta acolhida no meio ao qual pertenço. Este círculo grande de parentes, amigos e agregados que costumam sempre, com calma e alegria, sem orgulho, viver em harmonia, mesmo sob as limitações convencionais. Lembrando que, sábios são aqueles que não usam as pessoas para fins pessoais, e não deixam seus desejos perturbarem essa harmonia. Assim, quando estão felizes não se rejubilam muito e quando estão tristes, não se lamentam demais. Cientes de que o que dá vida ao que está vivo, jamais morre, embora o que é produzido, morra. O que transforma as coisas nunca muda, embora mude o que ele transforma.

Essa leva de gente que procura conhecer o valor humano despertável. E o que tem-se empenhado em fazer é observar uma atividade simples, como valer-se de sua ajuda. Aí, o meritório e o indigno aparecem claramente. Mesmo para aqueles que nada têm de romântico. Só você pode restaurar o hábito prazeiroso da volta do abraço caloroso nos que, sem pedir, mas por mérito, se instalaram em nossas almas.