Situação ainda grave

Quando a pandemia teve início, em março do ano passado, o prazo para que o mundo superasse a situação era uma incógnita. Hoje, 11 de fevereiro de 2021, a dúvida persiste e, apesar do alento da chegada da vacina, o coronavírus segue como tema principal e com novidades desagradáveis. Havia a esperança, segundo entrevistas com secretários de Saúde, de que a esta altura a Covid-19 estaria controlada. Não ocorreu.

Neste mês, mesmo com o agravamento da doença, o Brasil contará com apenas metade dos leitos de UTI exclusivos para tratar pacientes com Covid-19 financiados pelo Ministério da Saúde.

O exemplo dramático do que ocorreu em Manaus deixa em alerta gestores de outras regiões. Por lá, o Estado perdeu o controle do sistema de saúde em cerca de dois meses e viu pacientes morrerem asfixiados pela falta de oxigênio, enquanto a fila de doentes por um leito se alongava. É melhor nem imaginar o tamanho do prejuízo de uma segunda ou até de uma terceira onda no Estado de São Paulo, haja vista as dimensões territoriais e populacionais.

Apesar da chegada da vacina, a imunização ainda ocorre de forma lenta no país. O Brasil voltou a registrar mais de mil mortes por dia pelo coronavírus e enfrenta preocupação por conta de uma nova cepa encontrada em Manaus, que pode ser potencialmente mais transmissível. Já são mais de 233.500 mortes pelo vírus desde o primeiro óbito. Medidas imediatas precisam ser tomadas para que não faltem leitos aos pacientes, caso contrário, haverá uma crise mais aguda. Centros hospitalares denunciam falta de produtos e mateiras básicos.

Segundo disse recentemente o secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, apenas 11,4% dos leitos de UTI Covid-19 que eram mantidos pelo governo federal no ano passado, em São Paulo, seguem habilitados e custeados pela União. Eram quase 5 mil leitos da rede pública, mas, desde o início do ano, de forma abrupta, são apenas 11% desse número - um total de 564 leitos habilitados e custeados pelo Ministério da Saúde. A pandemia não tem data para terminar e a União tem de cumprir a sua parte.