Reeducação masculina

Como ocorre com quase todas as comorbidades, as enfermidades causadas pela Covid-19 vêm atingindo mais o sexo masculino. Levantamento feito pelo Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), apresentado nesta semana pela reportagem, mostrou que homens acima de 60 anos e portadores de cardiopatia são as principais vítimas em Mogi das Cruzes, Suzano, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos e Poá.

No Brasil, a incidência de mortes em razão do vírus é maior em homens - 57,8%. Os dados da Global Health 50/50, no entanto, sugerem taxas de infecção semelhantes em pessoas de ambos os sexos. Mesmo assim, é o homem quem mais vai a óbito. Em outros países, a discrepância de mortes entre os sexos é ainda maior.

As mulheres sempre demonstraram uma maior taxa de sobrevivência a longo prazo e a Covid-19 só reforça isso. Em média, no mundo, nascem cerca de 105 homens para cada 100 mulheres, ainda assim, o sexo feminino é mais propenso a completar o primeiro aniversário e os anos seguintes. Ou seja, morrem mais meninos do que meninas nos primeiros anos de vida. Não há uma razão clara para o fenômeno, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Outras evidências sugerem, ainda, que mulheres são mais resistentes a desenvolver doenças cardiovasculares, deficiências e certas infecções virais.

Apesar de não haver comprovação sobre este fenômeno, algumas evidências não podem ser descartadas. Em geral, mulheres vão com mais regularidade ao médico, fumam menos e lavam as mãos com mais frequência. Por outro lado, os homens tratam menos das comorbidades crônicas e costumam ter um comportamento mais arriscado ao longo da vida. E isso não ocorre apenas em relação a doenças. No trânsito, por exemplo, a maioria dos acidentes fatais envolve homens.

Embora o sexo masculino já carregue uma carga genética mais propensa a comorbidades, é possível minimizar esse problema. Para isso, é preciso uma "reeducação masculina" no que diz respeito aos cuidados com a saúde e comportamentais, de uma forma geral.

Comprovação não há, mas evidências não faltam.