Ranking de vacinados

Durante a última sexta-feira, o governo do Estado lançou um ranking de municípios que mais aplicaram vacinas contra o coronavírus (Covid-19) em todo o território paulista. A cada dia, uma lista com as dez cidades que mais vacinam deve ser atualizada no site do Palácio dos Bandeirantes. Nas palavras do governador João Doria (PSDB), a ideia é incentivar a vacinação e o bom trabalho das prefeituras.

A iniciativa pode até ser louvável, mas há um detalhe que precisa ser observado pelo governo paulista: como uma cidade deve ser incentivada a vacinar se não há imunizantes suficientes? A crítica não é para o Estado, que tem capacidade limitada de produção da CoronaVac e depende de insumos vindos da China. O imunizante do laboratório AstraZeneca também vem a conta-gotas.

Julgando por esse lado, incentivar que as prefeituras vacinem sem vacina o suficiente não faz muito sentido. O mais interessante seria melhorar a produção das doses, no entanto, há entraves logísticos e uma demanda mundial para a produção de imunizantes, sendo assim, a fabricação da CoronaVac, ou qualquer outra vacina, enfrenta dificuldades desde a linha de produção até a chegada nos locais de imunização.

O próprio governo paulista informou, durante a semana, que o número de mortos parou de subir, e isso por si só já traz um alento, mas ainda estamos no meio da jornada, de modo que o ideal seria que as prefeituras paulistas recebessem outro tipo de incentivo e projetos. Um deles poderia ser o de como melhorar o distanciamento social, criar campanhas para o uso da máscaras nas ruas, entre outras propostas que devem ser criadas para frear ainda mais a pandemia, ao menos até o momento em que as cidades possam ter doses suficientes para dar continuidade à vacinação sem precisar parar até que outro lote de vacinas chegue.

O incentivo deve partir desse ponto, da colaboração em todo o Estado, em parceria com os municípios, para que o coronavírus deixe de ser uma ameaça e logo possamos voltar a ter uma vida normal, como a de antes.